Jardins formais e fachada do Castelo de Balmoral em Aberdeenshire | Foto: Neil Roger (reprodução)
As construções de um lugar refletem sua história, cultura, religiosidade e até mesmo as mudanças na legislação ao longo dos anos. Um país em que é possível observar esses aspectos em muitos edifícios é a Escócia, cuja capital é vista como um museu a céu aberto. Por isso, vale a pena se aprofundar nas nuances da arquitetura escocesa.
A ideia para escrever esse artigo veio deste post no Instagram, no qual a Claudia Birolini compartilha suas experiências de viagem pela Escócia. O percurso não ficou restrito apenas a Edimburgo, o que já seria uma experiência riquíssima, mas se estendeu para o interior do país.
Durante sua estadia, Claudia pôde visitar castelos que estão sob responsabilidade do mesmo clã há séculos e se hospedar em um palacete que serviu como base para um príncipe antes de uma importante batalha.
Além disso, nessa viagem Claudia pôde ter certeza de que a arquitetura não preserva apenas edifícios, mas sim vida, memórias e histórias e que “o verdadeiro luxo não está no que foi construído ontem, mas naquilo que o tempo tentou apagar e não conseguiu”.
A capital escocesa tem duas partes principais, Old Town (cidade velha em português) e New Town (cidade nova, em português), que são consideradas patrimônios Mundiais da Humanidade pela Unesco. A área mais antiga concentra a maior parte dos edifícios medievais e góticos.
Já a New Town começou a ser construída no século XVIII, devido à falta de espaço na Old Town, e é muito diferente da cidade antiga. Aqui as ruas são mais largas, há mais espaços arborizados, com destaque para o parque Princes Street Gardens, e as construções são predominantemente nos estilos georgiano, neoclássico e vitoriano.
O Castelo de Edimburgo é certamente um dos maiores ícones da arquitetura escocesa. A fortaleza ocupa o topo de Castle Rock, uma formação de origem vulcânica que se destaca na paisagem.
Esse castelo já foi quartel militar, prisão, fortaleza, residência da família real e hospital militar no período da Primeira Guerra Mundial. Hoje, o Castelo de Edimburgo está aberto à visitação e é um passeio imperdível para quem aprecia arquitetura e história militar e da realeza.
O Museu Nacional da Escócia é um dos mais visitados do país e um dos principais de todo o Reino Unido. Seu acervo é muito eclético, sendo composto por peças relacionadas à biologia, tecnologia, ciência e história. Por isso, quem quiser visitar todo o museu terá que reservar algumas horas para o passeio.
A arquitetura do museu é uma obra à parte. O complexo é composto por um edifício vitoriano original, muito bem preservado, e uma ala moderna, inaugurada em 1998. Na parte interna, o destaque vai para a Grande Galeria, que conta com um recurso chamado Janela para o Mundo, uma instalação vertical com mais de 20 metros que abrange quatro andares.
Continuando nosso roteiro de arquitetura escocesa, vamos para Stirling, a aproximadamente 65 km de Edimburgo, onde fica o Castelo de Stirling, um complexo composto por vários edifícios construídos ao longo de diferentes séculos, fazendo com que os prédios apresentem estilos arquitetônicos distintos.
O Castelo de Stirling em si e as muralhas e fortificações preservam uma estética medieval marcante. A parte interna do castelo também chama a atenção por sua opulência e seu design que reflete as tendências renascentistas europeias.
Seguindo viagem, chegamos à Dunfermline, onde há um conjunto arquitetônico que abriga partes da abadia medieval de Dunfermline e uma igreja paroquial construída entre 1818 e 1821 no local do antigo coro. Hoje, essas duas construções estão integradas arquitetonicamente.
A construção tem uma estética que mistura elementos neogóticos e românicos, uma combinação que representa as influências da herança eclesiástica medieval e o revivalismo gótico do século XIX.
Perto da fronteira com a Inglaterra, ficam algumas abadias pouco lembradas nas rotas turísticas tradicionais, mas que merecem estar em um roteiro pela arquitetura escocesa devido ao estilo de construção e à sua relevância histórica.
Entre elas, uma das que mais se destaca é a Abadia de Melrose, uma das ruínas mais fotogênicas da Escócia. As partes remanescentes da igreja, que passou por uma reconstrução por volta de 1385, são formadas por pedras rosadas que se destacam na paisagem. Esse prédio é considerado um dos exemplos mais relevantes da arquitetura eclesiástica medieval.
As Highlands são marcadas por grandes cadeias de montanhas, lagos profundos e áreas de natureza selvagem. Nessa região fica o Castelo de Balmoral, uma das propriedades da família real britânica e um dos lugares preferidos da rainha Elizabeth II.
A área onde está localizado o Castelo de Balmoral foi adquirida pelo Príncipe Albert e pela rainha Vitória, em 1852. O edifício que havia no terreno foi considerado muito pequeno para as necessidades da realeza. Por isso, outras construções, incluindo um castelo, foram erguidas no local.
A versão atual do castelo, idealizada pelo Príncipe Albert, segue uma mistura dos estilos arquitetônicos baronial escocês e renascimento gótico. O edifício é organizado em duas áreas distintas divididas por um pátio central e tem como principal característica a torre central com relógio.
Hoje, o terreno abriga vários edifícios, incluindo o castelo principal, residências menores, prédios de apoio e chalés disponíveis para hospedagem.
Na região de Inverness, capital das Highlands, fica o campo de batalha de Culloden, onde ocorreu uma das principais batalhas da história da Escócia. Em abril de 1746, os jacobitas, apoiadores do Príncipe Charles Edward Stuart, enfrentaram as tropas governamentais com o objetivo de restaurar a dinastia Stuart no trono britânico
O enfrentamento durou menos de uma hora e os jacobitas foram massacrados. Para homenagear esses soldados e preservar a memória do episódio, o local da luta foi preservado e nele foram instalados vários marcadores de pedras com os nomes dos clãs que participaram da batalha de Culloden.
Nessa área ainda há um museu, projetado por Hoskins Architects e inaugurado em abril de 2008, que conta a história da batalha e ajuda a preservar essa parte da história triste, porém importante, do povo escocês.
Inverness é também o endereço da Culloden House, um palacete georgiano situado em uma área de 16 hectares e com interiores que se assemelham a cômodos de um verdadeiro palácio devido ao seu requinte. Uma curiosidade histórica é que o Príncipe Charles Edward Stuart se hospedou nesse local para se preparar para a batalha de Culloden.
Atualmente, essa mansão funciona como um hotel de luxo que oferece uma experiência que poucos lugares podem proporcionar, a de se hospedar em um lugar onde parte da história foi escrita.
Seguindo nosso roteiro pela arquitetura escocesa, vamos rumar para a Costa Oeste até chegar à região de Dornie, mais precisamente a 13 km de Kyle of Lochalsh, onde fica o Castelo de Eilean Donan.
Essa fortaleza está situada em um cenário idílico, o que contribui para que ela seja uma das mais fotografadas do país. O edifício original foi erguido no século XIII, no entanto, ele foi quase completamente destruído durante o levante jacobita.
Curiosidade: dá para ter um gostinho do que se vê por lá pela webcam que o castelo mantém frente à ponte que leva ao castelo.
No início dos anos 1900, o prédio foi reconstruído, com base na arquitetura medieval, como uma forma de exaltar o passado escocês. Partindo em direção à Ilha de Skye, chegamos ao Castelo de Dunvegan, que está sob o comando da mesma família, o clã MacLeod, há mais de 800 anos.
Sua construção inicial data do início do século XIII, contudo, ela passou por modificações significativas até a década de 1850. Portanto, ao visitar este edifício podemos ver de perto os diferentes estilos arquitetônicos que predominaram na Escócia ao longo dos séculos.
Continuando o roteiro pela arquitetura escocesa, vamos para a região de Argyll and Bute, onde está localizado o Castelo de Dunstaffnage, um dos castelos de pedra mais antigos do país, erguido por volta dos anos 1200, com uma arquitetura medieval militar que até hoje impressiona os visitantes de diferentes partes do mundo.
A última parada do nosso roteiro pela arquitetura escocesa é a Estação Wemyss Bay, projetada pelo arquiteto James Miller em 1903. Trata-se de uma construção que segue o estilo Arts and Crafts — foi um movimento estético, social e político britânico que, na segunda metade do século XIX, defendia o valor do trabalho manual e do design artesanal em oposição à produção industrial em massa — e é considerada uma das estações mais bonitas do Reino Unido.
Essa estação se distingue das demais pela predominância de materiais como ferro e vidro e pelo uso de formas curvas e contínuas que, além de deixarem o ambiente mais bonito, ainda facilitam a circulação dos passageiros.
Para ajudar na organização da sua viagem, preparamos uma tabela indicando onde começar o passeio, em quais cidades se hospedar para visitar as atrações e quantos dias ficar em cada região.
| Dia | Onde ficar | Lugares para visitar |
| 1 | Edimburgo | Castelo de Edimburgo + centro histórico |
| 2 | Edimburgo | Museu Nacional da Escócia + arquitetura da Old Town e New Town |
| 3 | Edimburgo | Bate-volta à Abadia de Melrose |
| 4 | Stirling | Abadia de Dunfermline + Castelo de Stirling |
| 5 | Inverness | Castelo de Balmoral + viagem pelas Highlands até Inverness |
| 6 | Inverness | Campo de Batalha de Culloden + museu + Culloden House |
| 7 | Ilha de Skye | Chegada a Skye + Castelo Eilean Donan |
| 8 | Ilha de Skye | Castelo de Dunvegan + jardins e paisagens da ilha |
| 9 | Oban | Deslocamento pela costa oeste + Castelo Dunstaffnage |
| 10 | Glasgow | Estação Wemyss Bay |
Agora que você já conhece a nossa sugestão de roteiro pela arquitetura escocesa, escolha os lugares que mais despertaram o seu interesse para visitar na sua próxima viagem à Escócia e continue no site da Dona Arquiteta para conferir mais dicas de viagem.
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referências
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