Cidades da Sicília: um roteiro pela maior ilha da Itália
Taormina

Cidades da Sicília: um roteiro pela maior ilha da Itália

Escrito por Sarah Borges | Atualizado em:
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As cidades da Sicília, a maior ilha da Itália, contam grandes histórias. Gregos, romanos, árabes, normandos e espanhóis deixaram marcas sobrepostas, às vezes em contraste direto. Cada cidade entrega a sua síntese de tantas culturas traduzidas em fachadas, praças, catedrais e ruínas.

Este roteiro parte de um olhar curatorial: cada cidade escolhida tem personalidade própria, identidades bem definidas e atmosferas distintas. Para combinar, trouxemos também sugestões de hospedagens de design para ampliar sua experiência. Confira!

Palermo

Cidades da Sicília
O exagero do barroco, roupas no varal, mercado a todo vapor, Palermo vibra e pede presença..| Foto: Who’s Denilo (Reprodução)

Cercados de esculturas barrocas e construções arquitetônicas de grandes dimensões: é assim que começa nosso roteiro pelas cidades da Sicília. O ponto exato é Quattro Canti, um cruzamento de ruas que fica no centro histórico de Palermo. Ao se posicionar exatamente no centro, você conseguegur enxergar quatro fontes diferentes em cada uma de suas quatro esquinas.

Também conhecida como Piazza Vigliena, ela é uma intersecção das duas principais ruas Corso Vittorio Emanuele e Via Maqueda. Escolhemos começar pela Igreja de Santa Catarina de Alexandria, a igreja do final do século XVI, lá você contemplará esculturas, trabalhos em estuque e mármore. É difícil narrar a beleza!

Atravesse a Piazza Pretoria (ou Praça da Vergonha), onde há uma uma enorme fonte renascentista de mármore branco e, provavelmente, você será atraída pelas três cúpulas vermelhas no topo do telhado da Igreja de São Cataldo. Esta construção é um exemplar arquitetônico da fusão árabe-normanda. Ali você  encontrará o melhor que Palermo tem a oferecer: uma fusão de estilos arquitetônicos contrastantes. 

Mas a maior representação da arte nas cidades medievais e do poder do Reino Normando da Sicília é o Palazzo dei Normanni e Cappella Palatina. O grande pátio interno do palácio tem três andares de arcadas e é um acréscimo muito oportuno da arquitetura renascentista siciliana. Ele foi  adicionado no final do século XVI.

Não deixe de visitar também a torre da Catedral de Palermo (na Via Vittorio Emanuele) ao entardecer. O contraste de luzes que só o crepúsculo consegue entregar amplia a beleza e a unidade nas diferenças de Palermo. É emocionante!

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Cefalù 

Cidades da Sicília
Cefalú, com seu centro histórico medieval bem preservado e a fusão de montanha e mar, é o destino ideal para quem quer desacelerar. | Foto: Owen Roth (Reprodução)

Ainda na grande área de Palermo, nosso roteiro para conhecer mais da cultura da Sicília segue até Cefalù. Para chegar até lá, você pode alugar um veículo e dirigir pela Europa ou pegar um trem na Estação Central de Palermo. A viagem dura um pouco mais de 1 hora. Na dúvida, siga em direção à imponente formação rochosa de calcário, conhecida localmente como “La Rocca”.

De carro, em 3 minutos você chega à Porta Pescara, a muralha voltada para o mar, é o único dentre os antigos portões da cidade, dá acesso a uma pequena praia e ao cais. De lá, você vê as casas construídas sobre as rochas. O local também é considerado como o ponto de transição entre a parte moderna e a cidade velha.

No Centro Histórico, a Catedral é o ponto alto da visita a Cefalù. Construída entre 1131 e 1240, seu interior é uma mistura de estilos arquitetônicos românico e gótico, até mesmo a escadaria em si impressiona. 

Ali perto, uma subida desafiadora leva o turista até o Templo de Diana, construção que historiadores acreditam ser a mais antiga entre as cidades da Sicília. Construído no século  V ou IV a.C., o templo fica a 153 metros de altitude e a subida possui placas indicando as direções. Cafalù é um destino para quem quer combinar praia, sol, montanhas e arquitetura num só lugar. 

Dica de hotel: Praia, arte e cultura! O Le Calette é a hospedagem para quem quer aproveitar o litoral com calma. Projeto do renomado arquiteto Ângelo Miccichè, é um hotel butique de tradição familiar que homenageia a alma mediterrânea. Próximo dali, na Rocca di Cefalù, as ruínas do Castelo de Cefalù oferecem vistas panorâmicas da cidade.

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Taormina, luxo e infraestrutura premium na Sicília

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Taormina mistura natureza e ruínas arquitetônicas. É um cenário perfeito para tirar fotos. | Foto: Embla Munk (Reprodução)

Nossa próxima parada é um pouco mais distante: Taormina. Município da província de Messina, a rota de trem envolve normalmente uma mudança de trem. No entanto, se você planeja dirigir pela Europa, esta parte da road trip costuma durar 2 horas e meia.

Uma caminhada de 3 minutos separa o San Domenico Palace, nossa sugestão de hotel butique em Taormina, da Piazza Duomo, entrada do centro histórico. É uma praça pequena. Lá você deve visitar a Catedral de Taormina,  uma construção medieval do século XIII que se assemelha a uma fortaleza. 

Da Catedral, seguindo à direita, está a Corso Umberto. Arcos ao sul e norte levam a esta área repleta de lojas e cafés de luxo. Parece saída de um conto de fadas! E a parada para descanso normalmente acontece na Piazza IX Aprile, que oferece uma vista para o Monte Etna. É um local romântico, com artistas de rua tocando e a baía ao fundo.

Com suas ruínas em mármore branco e tijolos avermelhados, o Antigo Anfiteatro de Taormina é, talvez, o mais deslumbrante desse roteiro por cidades da Sicília. Suas ruínas estão instaladas no topo do Monte Tauro, de onde se avista o vulcão no cume do Monte Etna. 

Dica de hotel: Há 10 minutos de carro da estação de trem Taormina e há uma caminhada de quatro minutos da Corso Umberto está oSan Domenico Palace, um hotel cinco estrelas, reinventado a partir de um convento do século XIV. Lá você aproveita a sofisticação siciliana: vista panorâmica, serviço de bar na piscina de borda infinita no topo do penhasco.

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Catânia, a cidade barroca aos pés do Etna

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Catânia é uma cidade intensa. Mais urbana, mais barulhenta e com o Etna ao fundo. | Foto: Samir Karrat (Reprodução)

Próxima parada, Catânia, a segunda maior cidade da Sicília. A Fontana dell’Elefante (Fonte do Elefante), no centro da Piazza Duomo, é o ponto de encontro na cidade. Ao redor, cafés, restaurantes e construções históricas de grandes dimensões, como a Basílica Sant’Agata. 

Próximo dali, A’Piscaria Market (o Mercado do Peixe): é lá que você conhecerá a culinária da costa leste italiana. Turistas escolhem entre as várias barracas, especiarias, chocolate, nozes… Lá mesmo você pode escolher um dos charmosos restaurantes que servem peixe fresco diretamente do mercado. Mas antes disso, há tempo de sobra para conhecer a Via dei Crociferi e a Via Etna. A primeira concentra quatro igrejas barrocas em apenas 200 metros, já a segunda conta com lojas de luxo, cafés e sorveterias.

Não podemos deixar de mencionar o Palazzo Biscari, com seus salões adornados  com pinturas, esculturas e espelhos. Catânia é a melhor entre as cidades da Sicília para quem quer estudar arquitetura barroca.

Siracusa, uma das mais importantes da Magna Grécia 

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Rivalizando com Atenas e Cartago, Siracusa é uma das mais importantes cidades ao sul da península Itálica. | Foto: Monika Guzikowsha (Reprodução)

Siracusa é dividida em duas partes principais: Ortigia, pequena ilha e centro histórico da cidade, e Neapolis, onde estão as principais ruínas gregas e romanas. Começamos nosso roteiro pela ilha. Quase todos os principais monumentos de Siracusa encontram-se nela: as igrejas, templos, palácios e castelos.

É lá que fica a Catedral de Siracusa, um templo grego transformado em igreja. A construção em pedra branca, com suas colunas dóricas originais, a cidades brilha ao sol com céu azul da Sicília como plano de fundo.

O Templo de Apolo é outra atração que você não pode deixar de visitar. Apesar de ter restado pouco da estrutura, a vista entre as pedras que um dia foram colunas vale a pena. Indo à praça, pela Rua Giacomo, antes de chegar lá, podemos passar pela Fonte de Diana.

Já na parte continental, em Neápolis, o que mais vale a pena visitar é o Parque Arqueológico, famoso por concentrar grandes estruturas escavadas diretamente na rocha calcária local. Não deixe de conferir o Orecchio di Dionisio, pedreira que tem a forma de uma orelha humana.

Ragusa

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Ragusa é ideal para quem aprecia arquitetura, caminhadas contemplativas e cidades que não se revelam de imediato. | Foto: Valerio Giannattasio (Reprodução)

Seguimos agora para o sudeste da Sicília, em Ragusa. Esta é mais uma das cidades da Sicília que se divide em duas regiões: a Ragusa Superiore, parte mais alta e moderna, e Ragusa Ibla, o centro histórico que parece escorrer pela encosta. 

Comece por Ibla. Olhando de cima, por fotos, parece uma simples maquete. É ali que Ragusa mostra seu lado mais teatral, com suas ruas estreitas de pedra, as escadarias sinuosas e as fachadas barrocas. Tudo lá é cinematográfico. O ponto central é a Catedral de San Giorgio, obra-prima do barroco siciliano reconstruída após o terremoto de 1693. 

Caminhando sem pressa, você atravessa pequenas praças, igrejas e palácios nobres, como o Palazzo La Rocca, famoso pelos balcões sustentados por figuras esculpidas em pedra. Reserve um tempo para o Giardino Ibleo, um jardim público no extremo da colina que oferece uma vista ampla do vale ao redor.

Para entender a cidade na totalidade, vale a pena subir até Ragusa Superiore. A transição entre as duas partes deixa claro como a Sicília reconstruiu suas cidades após grandes catástrofes, misturando planejamento urbano e herança histórica.

Dica de hotel: No coração de Ragusa, oAD 1768 Boutique Hoteloferece vista para a Piazza Duomo de Ragusa Ibla. Redefinindo o conceito de hospitalidade siciliana, esta hospedagem conversa exatamente com a divisão entre o moderno e o histórico pelo qual Ragusa é conhecida.

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Noto, experiência imersiva no barroco mais refinado da Sicília

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Noto é uma cidade reconstruída após um terremoto em 1693. | Foto: Lucas N (Reprodução)

Noto é considerada o exemplo mais harmonioso do barroco siciliano. Nosso roteiro começa naturalmente pela Corso Vittorio Emanuele, a avenida principal que organiza a cidade. 

Logo no início, o Porta Reale marca simbolicamente a entrada em Noto, e, em poucos minutos de caminhada, você chega à Catedral de San Nicolò, o grande ícone da cidade. Esta construção foi levantada com pedra calcária clara. O mais interessante é que ela muda de cor ao longo do dia, indo do dourado suave ao tom âmbar intenso ao entardecer. Um paraíso para fotógrafos.

Ao redor da catedral, concentram-se alguns dos edifícios mais importantes, como o Palazzo Ducezio, com seus salões elegantes, a Igreja de San Carlo al Corso, que, de sua cúpula, oferece uma das vistas mais bonitas da cidade.

Noto é uma cidade para observar a luz incidindo sobre os detalhes barrocos ao longo do dia. A pedra calcária local reage de forma única ao sol criando uma atmosfera quente e envolvente.

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Ragusa e Noto, o visitante encontra duas leituras distintas do barroco siciliano: uma mais orgânica e intimista, outra monumental e planejada. Ambas ajudam a entender por que essa região da Sicília é considerada um verdadeiro museu ao ar livre.

Dica de hotel: Em Noto, o Dimora delle Balze oferece uma atmosfera rural e bucólica. O hotel está sediado em uma antiga fazenda do século XIX. Dentre as cidades da Sicília, escolha se hospedar em um hotel-butique famoso por sua arquitetura rústica, refinada e exclusiva.

Ao percorrer Palermo, Cefalù, Taormina, Catânia, Siracusa, Ragusa e Noto, cidades da Sicília, mergulhamos na cultura e história desta região. Se este roteiro despertou vontade de ir além do mapa, o próximo passo é conhecer alguns dos hotéis indicados em cada cidade para aprofundar escolhas. Planeje sua viagem com intenção!

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referências

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