Foto: Palazzo Avino (reprodução)
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O Palazzo Avino foi o endereço de Richard Wagner quando encontrou o jardim que inspirou Parsifal, de Eduardo de Filippo quando escreveu uma de suas peças mais famosas, de Eisenhower quando planejou o ataque em Monte Cassino. Muito longe de ser reduto exclusivo destes dois, também foi de Ingrid Bergman e Roberto Rossellini quando riram juntos à mesa.
Hoje, sob o olhar das irmãs Mariella e Attilia Avino, este palazzo do século XII em Ravello segue recebendo hóspedes pelo mesmo motivo que os anteriores: a combinação de história, beleza e sofisticação que a Costa Amalfitana ainda não repetiu em nenhum outro endereço.
Com 43 acomodações, uma estrela Michelin, instalações de Joseph Kosuth e William Kentridge e um programa cultural próprio chamado Ode to Ravello, o Pink Palace é o tipo de hotel familiar em Amalfi que se descobre uma vez e se carrega para sempre.
O Palazzo Avino ocupa o Palazzo Sasso, erguido no século XII no bairro aristocrático de Ravello. Na época de sua construção, era o endereço das famílias mais poderosas da costa e algumas de suas paredes originais medievais ainda estão de pé. Como exemplo, o que hoje é o lobby do hotel já foi, em 1756, uma capela privada — construída por Andrea Sasso, herdeiro de uma família ligada aos fundadores das ordens Cisterciense e Dominicana.
A renovação mais recente foi conduzida em 2025 por Giuliano Andrea dell’Uva. Este arquiteto napolitano é um dos nomes mais requisitados da Itália e foi responsável por garantir uma ponte entre o medievalismo do palazzo e o vocabulário de decoração contemporânea. Parte disso vem da inclusão de diversos artistas no projeto. Entre eles:
Em 2023, dell’Uva já havia assinado a renovação da Infinito Suite em colaboração com o artista britânico David Tremlett, responsável pelos tetos em abóbada de cerâmica artesanal e pelo piso em damier turquesa e branco, pintados à mão segundo as tradições cerâmicas locais. As janelas ogival, fechadas há décadas, foram reabertas com a mesma forma pontiaguda das catedrais ao longo da costa.
Em 2020, a designer Cristina Celestino havia reimaginado 7 quartos — incluindo a Belvedere Suite — com acabamentos em madrepérola, pisos de terracota branca com acentos rosa e cabeceiras em aquamarine brilhante.
O rosa, porém, antecede toda renovação. É a cor da fachada original do palazzo, que ao longo dos anos se tornou o emblema visual mais reconhecível da Costa Amalfitana. A cor sempre foi uma das prediletas da família, principamente para as irmãs Avino, e por isso acabou se tornando uma característica do edifício original que rapidamente se estabeleceu como símbolo do Palazzo Avino. Além de gosto pessoal, a cor captura o calor e a beleza da costa.
São 43 acomodações — 33 quartos e 10 suítes — cujo denominador comum é a qualidade artesanal. Sinal disso são os pisos em azulejo Vietri feitos à mão, os móveis dos séculos XVIII e XIX, as janelas arqueadas de inspiração mourisca, os amenities Vranjes e roupas de cama Frette. A vista do Golfo de Salerno aparece em quase todos os ambientes, seja pela janela ampla (em arco) ou por um terraço privativo.
Mas é lá no topo (literalmente) que está a Infinito Suite. Trata-se de um duplex de 100 m² que ocupa a parte mais alta da torre medieval, com pé-direito duplo, terraço privativo de 50 m², piscina infinita e área de jantar ao ar livre. É nela que se encontra o resultado mais ousado da parceria dell’Uva + Tremlett.
Aqui os tetos abobadados são revestidos em cerâmica artesanal, as janelas pontiagudas enquadram o Mediterrâneo como uma pintura e os móveis vintage — como as luminárias dinamarquesas de Arne Jakobsson dos anos 1950, peças de Gio Ponti e Cini Boeri — foram garimpados na Galleria Rossella Colombari em Milão.
Os quartos de entrada têm entre 16 e 28 m², todos com banheiro em Jacuzzi e, nos quartos com vista para o mar, a janela arqueada parece não ter começo nem fim entre o interior e o azul Mediterrâneo.
O Rossellini’s carrega uma estrela Michelin com naturalidade.
O chef Gianni Vanacore comanda uma cozinha mediterrânea contemporânea que celebra Campania sem apelo ao exotismo:
Para quem prefere algo mais descontraído, a Terrazza Maraviglia serve almoços ao ar livre com pasta, crudo e queijos artesanais.
No Lobster & Martini Bar (que na borda da varanda às 18h) o mixologista Salvatore Anastasio comanda um cardápio de 100 martinis artesanais.
No Clubhouse by the Sea, pizza de forno a lenha e frutos do mar fecham os dias de praia. O hotel produz também seu próprio vinho, colhido no vinhedo adjacente ao palazzo.
O spa do Palazzo Avino foi instalado nos jardins internos, com vista para as encostas verdes e o horizonte do Mediterrâneo. . A estrutura inclui piscina de hidroterapia, sauna, banho turco e cabines de tratamento; os produtos usados nas terapias são formulados com limão de Sorrento e maçã anurca — dois ingredientes locais famosos pelos poderes de hidratação.
Você vai encontrar aqui uma piscina, aquecida, de 20 metros. Ela fica nos jardins do palazzo, cercada da flora italiana e aparada com precisão. Para quem prefere mais privacidade e uma vista (ainda mais) aberta, o solário no teto tem duas jacuzzis com panorama de 360° para o Golfo de Salerno. Se existe uma forma melhor de mergulhar em uma real experiência pela costa amalfitana, desconheço.
O Clubhouse by the Sea, que fica a pouco mais de quinze minutos dali, completa a oferta com plataformas de pedra sobre o mar, espreguiçadeiras, piscina e restaurante casual com vista direta para o mar Tirreno. Detalhe: é o único acesso privativo ao mar em Ravello.
Ravello é uma anomalia. Ela fica a 350 metros acima do mar, isolada do barulho da SS163 — uma rodovia italiana razoavelmente movimentada, porque é lindissima de atravessar, já que atravessa a costa — e ainda assim a pouco mais de 20 minutos de Amalfi e Positano.
O Festival de Ravello — apelidado de Festival Wagner — acontece entre junho a meados de setembro num palco suspenso sobre o mar, com orquestras como a London Symphony e a Filarmônica de São Petersburgo.
O Palazzo Avino integra-se ativamente a esse ecossistema com o projeto Ode to Ravello. Em curso desde 2019, convida artistas a dialogar com a cidade por meio de música e arte. As instalações de Kosuth e Kentridge (na renovação de 2025) são desdobramentos diretos desse programa.
Além disso, se as experiências da cidade não preencherem sua agenda, o próprio hotel organiza transfers e excursões para Capri, Pompeia, Positano e Amalfi. Facilmente se tornam roteiros personalizados, com direito a limousine e até mesmo helicóptero.
O Palazzo Avino não é um hotel infantocêntrico e nem se propõe a ser. A atmosfera é predominantemente romântica, e a maioria dos hóspedes são casais em lua de mel ou aniversários.
Apesar disso, não há uma restrição aqui. As crianças são bem-vindas e existem até mesmo alguns quartos especiais (desses que se conectam/comunicantes) disponíveis e nenhuma restrição formal de idade. O Clubhouse by the Sea, onde ficam as plataformas de pedra sobre o mar, é onde as famílias se saem melhor durante o dia.
Para famílias que viajam com adolescentes e não dispensam design, história e gastronomia de alto nível, funciona muito bem. Para quem viaja com crianças pequenas em busca de infraestrutura lúdica, provavelmente há outras opções bem melhores na costa amalfitana.
Os chuveiros são de baixo fluxo e há política de zero plástico descartável nos quartos e restaurantes. A gestão familiar com valorização consistente de artesãos, produtores e artistas locais compõe uma postura de sustentabilidade cultural e econômica difícil de ignorar.
Há um quarto adaptado no andar principal do palazzo. A piscina no quarto andar é acessível por elevador. A piscina principal nos jardins e o spa são acessíveis apenas por escadas e isso acaba sendo consequência direta da natureza medieval da construção, com múltiplos níveis em pedra. O hotel é transparente sobre essas limitações e orienta os hóspedes previamente.
Se você tem ou viaja com alguem que tem dificuldades de mobilidade, vale muito a pena ligar antes do check in.
O Palazzo Avino é um hotel com valores de diárias que acompanham a escala de seus serviços e estrutura, com preços que facilmente ultrapassam os €700*/diária. Por isso vale a pena reservar com antecedência, principalmente se os seus planos envolvem aproveitar os eventos culturais anuais da cidade.
Na nossa apuração, as melhores condições e preços ficaram pela Booking. Recomendamos a plataforma pela facilidade de pagamento das diárias, os preços na nossa apuração* e a opção de cancelamento sem burocracia se houver mudanças de plano de última hora.
Apesar das observações acima, o Palazzo Avino é (sem sombra de dúvidas) um verdadeiro hotel familiar em Amalfi. Não apenas family-friendly, mas literalmente gerido por uma família que cresceu dentro dessas paredes. O pai das irmãs Avino foi quem comprou e restaurou o palazzo nos anos 1990. Mariella Avino, uma das principais gestoras, cresceu ali, aprendeu o nome de cada pedra e de cada hóspede. É dessa intimidade que nasce o que não se compra com orçamento: um serviço que se parece mais com hospitalidade do que com protocolo.
Um detalhe resume o espírito do lugar: no Rossellini’s, o amuse-bouche é servido numa torre de cerâmica em três andares, desenhada por Mariella em parceria com a ICS Ceramics e inspirada numa peça vintage de Pierre Cardin, mas encimada pelas cúpulas das igrejas da Costa Amalfitana. É um objeto de design funcional, local, narrativo e completamente original. Ninguém precisou criar isso. E é exatamente por isso que importa.
O Palazzo Avino está aberto de início de abril a meados de outubro.
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referências
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