Art Déco: o estilo que celebrou a máquina, ficou rico e quase foi apagado da história

Art Déco: o estilo que celebrou a máquina, ficou rico e quase foi apagado da história

Escrito por Fernando França | Publicado em:

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Se você já se debruçou sobre uma foto de edifício dos anos 1920, com aqueles ziguezagues, raios de sol dourados e torres que parecem foguetes parados, e sentiu um aperto no peito de vontade, você já sabe. O Art Déco é o estilo mais sedutor do século XX. Mas ele é muito mais do que uma estética bonita de painel do Pinterest.

O Art Déco nasceu da ebulição de uma época, encareceu absurdamente, atravessou o Atlântico, virou símbolo do cinema americano, apanhou feio da crítica modernista, quase desapareceu dos livros e renasceu nos anos 1970 como queridinho de colecionadores e donos de hotel boutique. Neste post, a gente percorre essa montanha-russa inteira — com paradas estratégicas para entender o que faz o art deco no design de interiores ser reconhecível à primeira vista, e não só uma estampa geométrica jogada em cima de qualquer móvel.

Da curva para a reta: a guinada

Para entender o Art Déco, primeiro é preciso entender de onde ele está fugindo. No fim do século XIX e início do XX, a Art Nouveau dominava a Europa: flores, trepadeiras, insetos, mulheres de cabelos ondulantes, tudo em curva, tudo orgânico, tudo torcido à mão. Era lindo, era artesanal.

Também era caríssimo, demorado e completamente desconectado do mundo que surgia.

E estamos falando de um mundo, na virada de 1900 para 1920, que tinha mudado muito de figura. Chegavam os carros, trens, navios a vapor, linhas de montagem e a eletricidade já começava a iluminar as cidades. A curva da flor não conversava mais com a reta do trilho. O Art Déco fez a guinada e celebrou a máquina, a linha reta e a simetria de fábrica. Não que o ornamento tenha desaparecido (isso ficaria para o Modernismo, e a gente chega lá), mas ele passou a ser geométrico, repetitivo e disciplinado, como um componente produzido em série.

A apresentação oficial em sociedade aconteceu na Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, em Paris, 1925. Aqui é importante anotar que, naquela altura, ninguém chamava aquilo de “Art Déco”. O nome só nasceria décadas depois (e guardem essa informação, porque ela volta com força no final).

Porte d'Orsay na Exposição de 1925 em Paris, marco do Art Déco projetado por Louis-Hippolyte Boileau com pórtico monumental.
Porte d’Orsay (1925), pórtico monumental de entrada da Exposição Internacional de Artes Decorativas projetado pelo arquiteto Louis-Hippolyte Boileau (1878–1948) | Foto: Musée des Arts Décoratifs, MAD Paris (reprodução)

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A geometria não era estampa, era projeto

Aqui vai uma das chaves de leitura mais importantes (e mais ignoradas) do Déco: ziguezagues, arcos e raios solares não eram decoração solta. Eles eram o próprio desenho do ambiente.

Num projeto Déco bem-feito, a geometria define a paginação do piso (as faixas de mármore alternado que guiam o olhar até o hall), os recortes do forro (o teto rebaixado em degraus que emoldura o lustre) e até os eixos de circulação, isto é, a sequência de portas, arcos e espelhos alinhados que organiza o caminho do visitante pela casa como um plano de metrô desenhado em mármore.

Lobby com mármore claro, teto dourado e detalhes em bronze no Carbide and Carbon Building, exemplar de art deco.
Lobby do Carbide and Carbon Building (1929), em Chicago. O espaço sintetiza o Art Déco pelo uso de mármore contrastante, teto em relevo dourado e serralheria geométrica em bronze nos elevadores. Foto: W Lemay (reprodução)
Relógio Cartier de 1927 em jade branco, ônix, coral e diamantes, obra-prima da alta joalheria em estilo art deco.
Relógio Cartier por Maurice Couët (1927). A peça sintetiza o Art Déco pela fusão entre geometria rigorosa, exotismo oriental e o contraste cromático entre ônix, coral, jade e diamantes. Foto: MAD Paris (reprodução)

Quando você olhar um projeto de Art Déco no design de interiores de verdade, repare em como a estampa do tapete continua no desenho do forro, que continua no ritmo das janelas. É uma lógica de composição total, quase musical.

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O mundo em ebulição: o caldo cultural dos anos 1920

O Déco não brotou do nada. Os anos 1920 foram uma das décadas mais elétricas da história, em todos os sentidos:

  • Tecnologia: o rádio entrou nas casas, o cinema virou indústria, o automóvel se massificou, os transatlânticos cruzavam o Atlântico em tempo recorde e o arranha-céu inventou uma nova verticalidade urbana.
  • Sociedade: as mulheres cortaram o cabelo, entraram no mercado de trabalho, saíram de casa para dançar charleston. A aristocracia europeia, exaurida pela Primeira Guerra, dividia o protagonismo com uma nova burguesia industrial e financeira — gente nova, endinheirada e com pressa de ostentar.
  • Descobertas arqueológicas: a década viu escavações que chocaram o mundo. A tumba de Tutancâmon foi aberta em 1922, e a febre egípcia varreu o planeta. No mesmo período, cidades maias eram resgatadas da selva centro-americana.

Os mistérios antigos encontram o futurismo

A Art Déco tem um ponto bem marcante que é a obsessão de muitos designers (e pela própria sociedade da época) pelas múmias egípcias e templos maias, recém-escavados, fundida com a velocidade dos carros e trens do futurismo da época.

Poltrona em jacarandá e bronze com motivos egípcios da Pottier & Stymus, raiz das influências egípcias no estilo art deco.
Poltrona e cadeira Egyptian Revival (ca. 1870–75) da Pottier & Stymus. O uso de esfinges em bronze, marchetaria geométrica e tapeçaria Aubusson antecipa a egiptomania que marcou o Art Déco. Foto: The MET Museum (reprodução)

Olhe com atenção e você vai ver o padrão se repetir em portas, painéis e fachadas do mundo inteiro. Os degraus e frisos de pirâmide maia viram torres escalonadas de cinema, o lótus e o escaravelho egípcios viram frisos geométricos e tudo isso é atravessado por raios solares que na verdade são os faróis do automóvel, as rodas do trem, a velocidade estampada em ouro.

Fachada monumental do Pavillon La Maîtrise na Exposição de Paris de 1925, marco fundador da arquitetura art deco.
Pavillon La Maîtrise (Galeries Lafayette) na Exposição de Paris de 1925 | Foto: Albin Salaün / Les Arts Décoratifs (reprodução)

Passado escavado + futuro imaginado, no mesmo friso. Nenhum estilo antes (ou depois) teve a coragem — ou a falta de pudor — de fazer isso.

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Art Déco e o nascimento da arquitetura noturna

Antes do Déco, os edifícios dormiam junto com o sol. Com a eletricidade ficando ubíqua nos anos 1920, nasce a arquitetura noturna através de prédios que eram desenhados pensando em como ficariam iluminados à noite. As fachadas foram transformadas em letreiros, coroas de luz marcando o topo dos arranha-céus, um espetáculo urbano que nenhum século anterior tinha conhecido.

E dentro de casa, a revolução foi igualmente dramática: a lâmpada nua foi escondida.

A luz indireta e o clima cênico

O Déco entendeu antes de todo mundo que o que importa não é a lâmpada, é o clima. A fonte de luz some atrás das sancas (aquelas molduras iluminadas que contornam o teto), se difunde em arandelas embutidas em degraus de escada e atravessa vidros leitosos esculpidos — os mais sofisticados assinados por René Lalique, mestre do vidro francês.

Teto em mosaico dourado e plafons geométricos evidenciam a iluminação no Art Déco no edifício Brahmskontor em Hamburgo.
Entrada do Brahmskontor (1931), em Hamburgo | Foto: Ajepbah (reprodução)

O resultado é que a luz deixou de ser funcional e virou cenográfica: banhos suaves de claridade que escorrem pelas paredes, criam sombras geométricas e transformam qualquer sala de jantar em cena de filme. Foi o Déco que inventou, na prática, o conceito de iluminação ambiente que hoje vendem pacotes prontos nos catálogos.

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Déco era para quem? O luxo francês e a franqueza de Ruhlmann

O movimento Art Déco, na sua origem francesa, não era para a classe média. Era um estilo da elite, e seus criadores não faziam mistério disso.

Um exemplo disso é que na França, o maior expoente do mobiliário Déco foi Émile-Jacques Ruhlmann. Homem de fala franca, ele dizia sem rodeios que “o verdadeiro propósito da moda é exibir riqueza”. E declarou em entrevista que os ricos “nunca imitam as classes médias” e que “é a elite que lança a moda e determina sua direção”, cabendo aos artistas trabalhar para quem pode financiar a pesquisa e a execução perfeita1.

E isso não era só pose. Um único móvel assinado por Ruhlmann podia levar até 8 meses para ser construído artesanalmente. E essa produção introduziu na marcenaria materiais que a tradição nunca havia explorado em escala assim. As madeiras raras, como o ébano de Macassar, cujos veios assumiam a função de ornamento, ocupavam o lugar dos detalhes entalhados tradicionais. Já madeiras como raiz de amboina, jacarandá e pau-rosa cumpriam função semelhante quando o desenho da fibra se tornava o destaque das peças.

Os revestimentos exóticos do Art Déco

E aqui entra um dos segredos mais deliciosos do mobiliário Déco de alto padrão: o luxo escondido. Revestimentos exóticos como o galuchat (couro de tubarão, de textura granulada) forravam o interior de armários e o fundo de gavetas, detalhe que só aparecia para quem abria o móvel. Ou seja, ostentação para poucos olhos.

Já a laca japonesa (urushi) foi apropriada de modo ocidentalizado pelos mestres franceses, que adaptaram a técnica milenar oriental com resinas e pigmentos próprios, criando superfícies negras, profundas e brilhantes como água parada à noite. O nome central aqui é Jean Dunand, que levou a laca para painéis, móveis e até cascos de automóveis.

Daybed Pirogue em laca japonesa e madeira patinada, icônico leito de repouso desenhado por Eileen Gray (Eileen Grey).
Daybed Pirogue (c. 1918–1922) de Eileen Gray. A peça em laca japonesa combina inspiração náutica e acabamento em bronze e ouro. Foto: Arnaud Carpentier / Galerie Vallois (reprodução)

No Déco francês, o valor estava no rigor do ofício e no respeito fanático pelo material e não no dourado espalhado por cima.

1929: o tombo e a curva da crise

Até aqui, tudo era vertiginoso e ascendente. Aí veio outubro de 1929 e o estouro da bolsa de Nova York, gerando a histórica Grande Depressão, que não mudou só a economia, mudou a própria silhueta do Déco.

Os anos 1920 eram verticais, dourados e pontudos. Torres finas, pontas de agulha, ornamento recortado, tudo apontando para cima, à caça do céu e do status.

Os anos 1930 viraram horizontais, brancos, com cantos arredondados e janelas redondas de navio. O apelo passou a ser o do transatlântico e do locomotiva streamliner, com superfícies lisas, brancas e aerodinâmicas que prometiam eficiência e limpeza num mundo que tinha acabado de levar um tombo histórico. O dourado exagerado cedeu ao cromo, ao aço escovado e ao plástico novo em folha (a baquelite).

Curiosamente, a crise democratizou o movimento. O estilo que nasceu para a elite francesa terminou a década decorando lanchonetes, cinemas de bairro e refrigeradores.

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O Déco cruza o Atlântico através das fábricas e apartamentos de Manhattan

O Déco ganhou uma segunda vida — e uma segunda alma — quando desembarcou nos Estados Unidos. E a adaptação revela muito dos dois lados do oceano. Os norte-americanos não tinham a perícia do artesanato de luxo francês, mas tinham fábricas, apartamentos verticais e a energia de Manhattan.

Sem mestres de ébano e galuchat, o Déco americano trocou o raro pelo replicável ao usar materiais como cromo, vidro, madeira clara e o baquelite (primeiro plástico totalmente sintético da história) numa escala que a Europa não tinha nem aonde pôr. O arranha-céu virou o expoente natural do estilo, do Chrysler Building ao Rockefeller Center.

Topo iluminado do Chrysler Building à noite com sua agulha e arcos em aço inoxidável, ícone do Art Déco em Nova York.
Coroamento iluminado do Chrysler Building (1930), em Nova York. Os arcos em aço inoxidável e as janelas em raio de sol definem a silhueta Art Déco do arranha-céu. Foto: Eric Marshall (reprodução)

Dois nomes definem o mobiliário dessa fase:

  • Paul Frankl, austríaco radicado em Nova York, criou na segunda metade dos anos 1920 sua famosa linha Skyscraper — estantes, escrivaninhas e armários empilhados em blocos escalonados que imitavam os recuos regulamentares dos arranha-céus de Manhattan. A cidade inteira, em miniatura, dentro da sala.
  • Donald Deskey, o designer que assinou os interiores do Radio City Music Hall (1932), mostrou que o Déco podia ser moderno, industrial e democrático ao mesmo tempo — cromo, vidro fosco, alumínio, luminárias futuristas — sem perder o impacto cênico.
Grand Foyer do Radio City Music Hall com grande escadaria, mural de Ezra Winter e lustres monumentais em estilo art deco.
Grand Foyer do Radio City Music Hall (1932), Nova York. Projetado por Donald Deskey, o espaço une lustres monumentais, grande escadaria curva e o mural de Ezra Winter ao apogeu do Art Déco. Foto: Steve Huang / ArchDaily (reprodução)

E foi essa infraestrutura industrial que permitiu o avanço mais interessante do Déco americano: o estilo migrou do palácio para o apartamento da classe média urbana.

art deco

O bar em casa e o fumoir

As mudanças de comportamento dos anos 1920 não mudaram só o vestuário — elas inventaram cômodos e móveis novos.

A vida social migrou dos salões formais de visita para ambientes mais íntimos e informais, alimentada pelo jazz, pelo charuto, pelo coquetel (e, nos EUA, ironicamente, pela Lei Seca, que empurrou o drinque para dentro de casa). Nasceram assim duas tipologias que o Déco tratou como joias:

  • O bar doméstico: um mobiliário-ícone da era — armários com frente roliça, interior espelhado, prateleiras cromadas para garrafas, superfície de trabalho embutida. Um pequeno palco para o ritual do coquetel.
  • O fumoir: o cômodo (ou canto) dedicado ao charuto e à conversa, com poltronas baixas, mesinhas auxiliares, cinzeiros esculpidos e materiais densos, escuros, envolventes — laca, couro, galuchat. Era o território masculino da casa, e o Déco o desenhou como uma caverna elegante.

O raio-X dessa história: quando o comportamento muda, o mobiliário muda junto. O Déco é praticamente um mapa arqueológico da vida social dos anos 1920 e 1930 — dá para reconstruir os hábitos da época só olhando os móveis.

A treta: por que o Modernismo odiava o Déco

Se hoje Déco e Modernismo dividem prateleiras elegantes nos livros de história, nos anos 1920 e 1930 eles estavam em guerra aberta.

Para Le Corbusier e a Bauhaus, o Déco encarnava tudo de errado com o mundo moderno. Decoração aplicada sobre o objeto em vez de nascer da sua função, ornamento caro servindo ao luxo burguês, “maquiagem burguesa” e puro golpe de marketing. Le Corbusier, aliás, usou o termo “Art Déco” pela primeira vez em imprensa com certo escárnio, em artigos de 1925 na sua revista L’Esprit Nouveau, zombando da exposição de Paris. O nome que hoje amamos nasceu, em parte, como piada de deboche.

A querela é genuinamente filosófica: o Modernismo pregava que a forma segue a função2, que o ornamento é crime3, que o design deveria servir às massas. O Déco respondia, na prática, que as massas também sonhavam com beleza, glamour e escape — e que uma sala precisa de mais do que uma cadeira de tubo de aço para virar sala.

O preço da derrota: depois da Segunda Guerra, com a Europa em ruínas e a reconstrução dominada pelo funcionalismo, o Déco virou sinônimo de frivolidade pré-crise — o excesso que tinha levado o mundo ao tombo. Ele quase foi demolido da história: ignorado pelos historiadores, desprezado pela academia, com seus interiores originais arrancados de prédios em nome da “modernização”.

O resgate: só nos anos 1960 e 1970 o estilo voltou a ser levado a sério. A virada começou com a retrospectiva “Les Années 25: Art déco, Bauhaus, Stijl, Esprit nouveau”, no Musée des Arts Décoratifs de Paris, em 1966 — foi essa exposição que batizou o estilo (“Art Déco”, encurtamento de Arts Décoratifs, a Exposição de 1925), com o termo ganhando o mundo graças ao historiador Bevis Hillier e seu livro de 1968. Nos anos 1970, o revival deslanchou de vez: colecionadores redescobriram Ruhlmann, Miami Beach começou a restaurar seus hotéis Déco à beira-mar (hoje patrimônio histórico protegido) e o cinema vestiu o estilo em The Great Gatsby (1974). O estilo que o Modernismo quis enterrar acabou na lista dos mais admirados do século XX.

– Leia mais: 11 filmes de arquitetura e design para se inspirar e aprender

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O que herdar de verdade (e o que recusar)

Comprar móvel barato dourado com estampa geométrica é só cópia rasa. Ziguezague por cima de compensado não é Déco, é cosmético. O Déco original nunca foi “estampa solta”, como vimos lá atrás. A geometria era o próprio esqueleto do projeto.

O que vale herdar para quem aplica art déco no design de interiores hoje são três lições, e nenhuma delas sai em promoção:

  • O rigor do desenho: cada linha tem motivo de ser, cada proporção foi calculada, a composição do ambiente é total — piso, forro e eixos conversando entre si.
  • O respeito pelo material: veios de madeira rara no lugar de entalhe, couro onde o toque importa, laca onde a profundidade importa. O material não é base para decoração; ele é a decoração.
  • O desenho de luz bem integrado: luz indireta, sanca, arandela, vidro esculpido — o clima cênico pensado junto com a arquitetura, não depois dela.

Se um dia você se deparar com um interior desses num hotel boutique, num cinema antigo, num armário de avó com interior forrado de couro granulado, pare e olhe com calma. Você não está vendo só um estilo de decoração. Está vendo o século XX inteiro em miniatura através da máquina, do jazz, das escavações no deserto, do tombo da bolsa, do navio, do cinema, da quase ruína e da ressurreição.

E, francamente, poucos estilos entregam programa tão completo.

art deco

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  1. Citações de Ruhlmann registradas na biografia do designer pelo Cooper Hewitt, Smithsonian Design Museum: https://www-5.collection.cooperhewitt.org/people/18056285/bio ↩︎
  2. Aforismo do arquiteto americano Louis Sullivan, do ensaio The Tall Office Building Artistically Considered (1896). Tornou-se o lema central do Modernismo funcionalista. ↩︎
  3. Título e tese central do ensaio do arquiteto austro-húngaro Adolf Loos, Ornament und Verbrechen (1908/1913). Loos influenciou diretamente Le Corbusier e antecipou a estética da Bauhaus. ↩︎

referências

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