O Rio de Janeiro é mundialmente reconhecido por sua paisagem natural entre o mar e as montanhas. No entanto, paralela à vocação praiana, a cidade preserva uma das camadas mais densas e complexas de história da arquitetura no Brasil, fruto de sua trajetória como sede da colônia, capital do Império e da República.
Justamente por isso, caminhar pelo Rio é observar a sobreposição de estilos, desde a solidez colonial, a rigorosa geometria neoclássica do século XIX, o ecletismo ornamental da Belle Époque e a monumentalidade do modernismo brasileiro, culminando em intervenções contemporâneas de escala internacional.
Esta curadoria reúne 10 lugares essenciais para quem quer vivenciar cidade através de seus edifícios. O guia está organizado em quatro eixos temáticos, abraçando instituições e arte contemporânea, marcos arquitetônicos, gastronomia e paisagismo, seguidos por roteiros integrados pela região. Boa leitura!
Circuito de arte e cultura contemporânea
1. Museu de Arte do Rio (MAR)

Na Praça Mauá, dois edifícios de épocas distintas dão corpo ao Museu de Arte do Rio (MAR). De um lado, o eclético Palacete Dom João VI (início do século XX). Do outro, o prédio modernista da antiga Polícia Central (década de 1940). Em 2013, a intervenção do escritório Bernardes + Jacobsen Arquitetura uniu as duas estruturas com uma cobertura fluida de concreto suspenso e uma passarela elevada, gerando uma praça pública no terraço que se tornou um dos marcos visuais da zona portuária.
Por uma curadoria inteligente, narrativas urbanas e históricas do Rio de Janeiro foram investigadas, colocando as experiências e linguagens de seus habitantes no centro das exposições. As mostras temporárias costumam ocupar ambos os pavimentos (e o terraço), e por isso uma visita completa leva ao menos duas horas.
Endereço Praça Mauá, 5, Saúde.
Ingressos R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia), com gratuidade às terças-feiras. Confirmar horários e regras de gratuidade no site oficial antes da visita.
Acessibilidade Elevadores, rampas de acesso e passarelas adaptadas para cadeirantes.
2. Circuito de galerias da Gávea
O bairro da Gávea é conhecido por seu circuito cultural que abriga diversas galerias e aparelhos culturais. Algumas delas, inclusive, estão no nosso guia de galerias essenciais no circuito carioca.
Entre as galerias do bairro, o Solar Grandjean de Montigny merece atenção especial. Projetado pelo arquiteto francês Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny na década de 1820, o casarão é um dos primeiros exemplares neoclássicos construídos no Brasil e hoje funciona como Museu Universitário da PUC-Rio. Seu jardim sombreado e os salões com exposições temporárias oferecem uma pausa silenciosa em relação ao ritmo da Gávea comercial.
Endereço Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea (Campus PUC-Rio).
Ingressos Entrada gratuita. Consultar programação nos canais oficiais da PUC-Rio.
Acessibilidade Circulação plana no campus. Consultar mediação específica para o interior do casarão histórico.
A poucos minutos a pé, a Galeria Evandro Carneiro é outra parada bem interessante. Fundada pelo marchand Evandro Carneiro, atuante no mercado de arte desde a década de 1960, a galeria reúne pinturas, esculturas e gravuras de mestres da arte brasileira moderna e contemporânea, muito dedicada a leilões de arte e com exposições rotativas ao longo do ano.
Endereço Rua Marquês de São Vicente, 124, Loja 108, Gávea.
Ingressos Entrada gratuita em horário comercial.
Acessibilidade Acesso térreo pelo centro comercial.
Ainda na mesma rua, a Galeria da Gávea completa o circuito. Fundada em 2009 por Alexandre Sant’Anna, Ana Stewart, Bruno Veiga, Isabel Amado e Ricardo Fasanello, a galeria é dedicada exclusivamente à fotografia brasileira contemporânea e emergente. O espaço realiza cerca de cinco exposições por ano, entre individuais e coletivas, com curadoria que privilegia o rigor estético e a pesquisa autoral. O ambiente silencioso e concentrado favorece a contemplação das obras.
Endereço Rua Marquês de São Vicente, 432, Gávea.
Ingressos Entrada gratuita. Consultar programação e horários no site oficial (galeriadagavea.com.br).
Acessibilidade Consultar condições de acesso diretamente com a galeria.
3. Palácio Gustavo Capanema

Poucos edifícios no mundo concentram tantos nomes decisivos da arquitetura moderna quanto o Palácio Gustavo Capanema, antigo Ministério da Educação e Saúde. A equipe responsável pelo projeto (1935-1936) foi liderada por Lúcio Costa e reuniu Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Machado Moreira e Ernani Vasconcellos, com consultoria direta de Le Corbusier.
Concluído em 1945, o edifício sintetiza os cinco pontos da arquitetura moderna com escala monumental, combinando pilotis, brise-soleil orientáveis, planta livre e terraço-jardim. Quem consegue agendar uma visita encontra, no interior, painéis de azulejos de Cândido Portinari, esculturas de Celso Antônio e, nos terraços, jardins projetados por Roberto Burle Marx. O acesso, porém, depende da programação institucional e das obras de conservação em curso.
Endereço Rua da Imprensa, 16, Centro.
Visitação: É um edifício público sob gestão do IPHAN, por isso é preciso consultar canais institucionais sobre disponibilidade de visitas guiadas.
Acessibilidade Elevadores e acessos adaptados no térreo.
4. Parque Lage

Aos pés do Corcovado, os 52 hectares do Parque Lage concentram jardins românticos, alamedas sombreadas por mangueiras e jaqueiras, trilhas que avançam pela Mata Atlântica e a sede da Escola de Artes Visuais (EAV). A visita rende mais quando você garante ao menos uma manhã inteira para ela.
Aos pés do Corcovado, os 52 hectares do Parque Lage concentram jardins românticos, alamedas sombreadas por mangueiras e jaqueiras, trilhas que avançam pela Mata Atlântica e a sede da Escola de Artes Visuais (EAV). A visita rende mais quando se reserva ao menos uma manhã inteira.
Ah, sabia que o Parque Lage foi um engenho de açúcar erguido no período colonial brasileiro? A área externa tem, ao todo, 52 hectares e o lago é perfeito para um piquenique em família.
Onde fica: Rua Jardim Botânico, 414 – Jardim Botânico.
Preços: Entrada gratuita. Em fins de semana, o café e o pátio podem exigir espera ou agendamento.
Acessibilidade: Vias principais planas. Caminhos de saibro e pisos do palacete exigem atenção.
5. Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)
Um dos centros culturais mais visitados da América Latina, o CCBB Rio ocupa um imponente edifício eclético na Rua Primeiro de Março, construído a partir de 1880 para sediar a Associação Comercial do Rio de Janeiro. O projeto foi assinado por Francisco Joaquim Béthencourt da Silva, fundador da Sociedade Propagadora das Bellas Artes.
A edificação combina elementos neoclássicos e ornamentos renascentistas, típicos do ecletismo do final do século XIX. Inaugurado como centro cultural em 1989, o espaço distribui mais de 15 mil m² entre salas de exposição, teatros, cinema, auditórios e biblioteca. A programação muda frequentemente e costuma incluir grandes mostras internacionais com entrada gratuita.
No centro do edifício, vale levantar os olhos para a rotunda com cúpula de vidro. Invisível do lado de fora, essa claraboia interna foi projetada para iluminar naturalmente o saguão e revela a introdução de técnicas construtivas em ferro e vidro na passagem para o século XX.
Aliás, a arquitetura do Rio é realmente única. Aqui você pode ler nosso Guia de arquitetura no Rio de Janeiro.
Onde fica: Rua Primeiro de Março, 66 – Centro.
Preços: Entrada gratuita, com ingressos agendados pelo site oficial. Aberto de quarta a segunda, das 9h às 20h. Fechado às terças.
Acessibilidade: Rampas, elevadores e banheiros adaptados.
Gastronomia autoral e design de ambientes
O que seria de uma programação cultural sem um bom restaurante ao final do passeio?
6. Restaurante Origens

Integrado ao lobby do Radisson Hotel Barra, na Barra da Tijuca, o Origens Rio trabalha com gastronomia contemporânea e internacional. O salão se abre para o lobby sem divisórias rígidas, aproveitando a fachada envidraçada para banhar o ambiente de luz natural.
A cozinha é assinada pelo chef uruguaio Bruno Verri, que trabalha com técnica contemporânea aplicada a ingredientes frescos e sazonais, com o cardápio transitando entre a culinária nacional e internacional, com opções como ceviche de peixe branco com manga e milho peruano, linguado na crosta de castanha de caju com risoto de limão siciliano e tornedor de filet mignon com molho béarnaise. O restaurante também mantém uma forneria própria e uma adega com seleção de rótulos nacionais e importados.
A operação se estende para a orla com o Origens Beach Lounge, quiosque no Posto 5 da praia da Barra da Tijuca, também sob a assinatura de Bruno Verri. O espaço funciona desde o café da manhã até o fim da tarde, com carta de drinks autorais e pratos leves.
Endereço Avenida Evandro Lins e Silva, 600, Barra da Tijuca (Radisson Hotel Barra).
Faixa de preço: $$ a $$$.
Acessibilidade Acesso térreo e instalações adaptadas integradas ao hotel.
7. Lasai
Em uma casa discreta de Botafogo, o chef Rafa Costa e Silva recebe cerca de dez pessoas por serviço no Lasai. Todo o salão se organiza em torno de um balcão contínuo de madeira voltado para a cozinha aberta, onde cada etapa do menu degustação é preparada à vista dos comensais. O revestimento em madeira clara e pedra reforça a atmosfera contida e a atenção ao produto.
O restaurante detém estrelas no Guia Michelin e figurou em posições de destaque no ranking The World’s 50 Best Restaurants.
Endereço: Largo dos Leões, 35 —Humaitá.
Reservas: Obrigatórias, com antecedência, pelo site oficial. Faixa de preço elevada.
Acessibilidade: Acesso adaptado no pavimento térreo.
8. Confeitaria Colombo

Quem entra na Confeitaria Colombo pela primeira vez costuma parar no meio do salão. Fundada em 1894, ela preserva intacta a decoração do final do século XIX. Espelhos de cristal belga emoldurados em jacarandá sobem até o teto, uma claraboia com vitrais franceses filtra a luz sobre balcões de mármore de Carrara e cristaleiras repletas de louças históricas.
A densidade de detalhes decorativos faz da Colombo um documento vivo da arquitetura comercial do Brasil Republicano. A visita combina bem com o roteiro pelo Centro Histórico e funciona como pausa entre o CCBB e o Palácio Capanema.
Endereço Rua Gonçalves Dias, 32 — Centro.
Faixa de preço Médio.
Acessibilidade Elevador interno e acesso térreo ao salão principal.
Espaços verdes
9. Jardim Botânico

A essa altura, você já se convenceu do valor arquitetônico do Rio. Mas há quem prefira programações culturais ao ar livre. Pois bem, se você é um desses, o Jardim Botânico precisa entrar no seu roteiro.
Antes de ser jardim botânico, o terreno abrigou o Real Horto, criado em 1808 pela Família Real portuguesa para abrigar especiarias. Mais de dois séculos depois, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro reúne uma das mais antigas coleções científicas de flora tropical das Américas, distribuídas entre alamedas, estufas e edificações históricas do século XIX.
Logo na entrada, a Aleia Barbará de Alvarenga, ladeada por palmeiras-imperiais centenárias, define o eixo central do percurso. Ao longo da visita, o Lago das Vitórias-Régias, o Orquidário e as estufas históricas marcam as paradas mais relevantes. Por se tratar de parque científico e tombado, piqueniques são restritos às áreas de convivência sinalizadas.
Endereço: Rua Jardim Botânico, 1008 — Jardim Botânico.
Ingressos: Desde 14 de julho de 2025, residentes no Brasil pagam R$ 40 e visitantes estrangeiros R$ 80, com meia entrada a R$ 20 para idosos e estudantes.
Acessibilidade: Alamedas principais planas e pavimentadas. Transporte interno adaptado sob agendamento.
10. Sítio Burle Marx

Com título de Patrimônio Mundial da Unesco, no Sítio Burle Marx você conhece um dos maiores acervos de plantas tropicais do mundo. Talvez por isso, o espaço, casa, ateliê e laboratório exijam desaceleração.
Os mais de 400 mil m² abrigam uma vasta coleção viva de plantas tropicais e subtropicais, organizadas em canteiros experimentais, espelhos d’água e caminhos que se alternam com edificações modernistas e o acervo de arte popular brasileira reunido por Burle Marx. A visita é guiada e dura cerca de duas horas.
Endereço: Estrada Roberto Burle Marx, 2019 — Barra de Guaratiba.
Visitação: Os preços atuais* são R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia), com pagamento em dinheiro no dia da visita; meia para estudantes e maiores de 60 anos.
Acessibilidade: Parcial, em razão do relevo acidentado e trilhas de paralelepípedo. Confirmar condições do percurso ao agendar.
O Rio de Janeiro que poucos conhecem
Esta curadoria prezou pela qualidade em vez de quantidade, ainda assim, a cidade do Rio é muito grande e talvez tenha surgido a dúvida se dá para construir roteiros mais práticos com essa lista.
Abaixo, deixamos uma sugestão de roteiros agrupando os pontos próximos um do outro para otimizar o passeio:
Sugestão de Roteiros Integrados
Minha recomendação de itinerário
Roteiro pelo Centro Histórico
Ideal para um dia de caminhada focada em arquitetura eclética e modernista.
-
1
Museu de Arte do Rio (MAR)
-
2
Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)
-
3
Confeitaria Colombo
-
4
Palácio Gustavo Capanema
Roteiro pela Zona Sul
Roteiro entre arquitetura, galerias de arte e paisagismo.
-
1
Solar Grandjean de Montigny (PUC-Rio)
-
2
Galeria Evandro Carneiro
-
3
Parque Lage
-
4
Jardim Botânico do Rio de Janeiro
-
5
Restaurante Lasai (Humaitá)
Leia mais:
- Serra da Mantiqueira no Rio de Janeiro
- Confira tudo que você precisa para escolher seu hotel no Rio
- Parque das Ruínas encanta em Santa Teresa
referências
*Atenção: Preços tomam como base a data de redação deste conteúdo. Podem sofrer alterações a qualquer momento e sem aviso prévio.
- Conheça a Galeria Evandro Carneiro
- Conheça o Solar Grandjean Montigny
- Detalhes do projeto arquitetônico do Palácio Gustavo Capanema
- História do Palácio Gustavo Capanema
- Conheça o Parque Lage
- Navegue no site da Escola de Artes Visuais
- História do edifício onde funciona o CCBB Rio
- Confira a programação do CCBB Rio
- Instagram do restaurante Origens
- Faça reserva no Origens









