Rotterdam ROCKS! está sendo projetada para ser a nova maravilha mundial. Será?

Rotterdam ROCKS! está sendo projetada para ser a nova maravilha mundial. Será?

Escrito por Fernando França | Atualizado em:

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Amsterdã, nos Países Baixos — A ambição é desmedida e não pede desculpas. A fundação holandesa Shift quer erguer em Roterdã um marco ecológico que rivalize com o papel da Torre Eiffel na Revolução Industrial.

Don Ritzen, líder da iniciativa, defende que gráficos climáticos e discursos alarmistas já não mobilizam a sociedade; o mundo precisa de símbolos físicos capazes de devolver a esperança.

O concurso internacional atraiu 80 escritórios e o escritório vencedor foi o MVRDV, de Winy Maas, ao lado do designer Joris Laarman e da engenharia da Arup. A equipe superou nomes de peso como Heatherwick Studio e Mecanoo.

Passarela ajardinada no Rotterdam Rocks com fachada texturizada bio-receptiva, aberturas circulares e vegetação nativa.
Ilustração 3D do Projeto | Foto: MVRDV (reprodução)

Batizado de Rotterdam ROCKS!, o complexo ocupará 30.000 m² no distrito de Waterkant, na margem sul do rio Maas, na área do antigo projeto do estádio do Feyenoord, hoje pausado.

O desenho rompe com a silhueta clássica de prédio: o programa distribui-se em duas torres interligadas, esculpidas como uma formação de sete blocos maciços que imitam rochas cobertas de musgo e árvores nativas.

Por dentro, o conjunto reunirá um hotel de 200 quartos, centro de convenções, restaurante plant-based e o Elysium, museu imersivo de 5.000 m² voltado a narrativas ecológicas. Pelo exterior, o projeto ainda prevê uma trilha pública serpenteando pelas rochas até o mirante na cobertura, transformando a fachada em parque vertical escalável.

rotterdam rocks

O choque estético e a conta do carbono

A resposta pública nas redes (e também fora dela) não foi tão boa.

O histórico do MVRDV alimentou a desconfiança. Em 2021, o escritório entregou em Londres o Marble Arch Mound, monte artificial temporário que virou piada internacional quando a grama secou logo após a abertura, gerando rombo orçamentário e fechamento precoce.

No projeto holandês, o choque com a realidade construtiva já começou a podar excessos já que, segundo Catherine Slessor, do The Guardian, o plano da monumental cachoeira que descia pelas pedras nas primeiras maquetes já foi discretamente abortado.

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A verdadeira disputa é ecológica. No portal Dezeen, o historiador da arquitetura Barnabas Calder disparou sem rodeios que espalhar plantas na fachada não torna um prédio ecológico, assim como jogar uma folha de manjericão num bife não o transforma em prato vegano.

Calder apontou que a promessa de usar concreto com escória industrial e aço reaproveitado é pura ilusão de soma zero, pois desviar insumos sustentáveis já escassos apenas obriga outros canteiros a consumirem cimento virgem.

Além disso, o pesquisador ironizou a conta de carbono da Shift: a entidade promete salvar emissões inspirando cidadãos, mas ignora as trinta e cinco milhões de toneladas de carbono geradas pelos voos dos turistas atraídos até ali.

Vista aérea urbana do complexo Rotterdam Rocks integrado ao parque linear à beira-rio e aos edifícios circundantes.
Ilustração 3D do Projeto | Foto: MVRDV (reprodução)

Do fetiche verde ao laboratório vivo

Ainda assim, o traço de Winy Maas dialoga com um dilema bem vivo nos tempos modernos da profissão. Nas últimas décadas, a biofilia urbana focou bastante em pendurar vasos em varandas de torres envidraçadas e o Rotterdam ROCKS! descarta esse modelo.

O projeto abandona a fisionomia de edifício e finge ser um acidente geológico, ocultando prumadas e centrais de ar-condicionado sob uma pele terrosa.

Ainda mais interessante é a abordagem do escritório quanto ao método construtivo. O MVRDV propõe transformar o canteiro em laboratório aberto, publicando em tempo real as técnicas de baixo carbono que derem certo e, sobretudo, as que falharem durante os trabalhos.

Ao assumir o erro em praça pública, a equipe troca o dogma do monumento impecável pela honestidade do experimento.

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A postura se encaixa na tradição de Roterdã. Desde que foi destruída na Segunda Guerra, a cidade fez da ousadia estética sua bandeira, abrindo alas para as Casas Cubo de Piet Blom, as torres colossais de Koolhaas e o depósito espelhado do próprio MVRDV.

O projeto, contudo, ainda não é uma sentença definitiva. A proposta passa por uma fase de refinamento técnico antes do processo de participação pública local agendado para o outono de 2026, o que pode alterar aspectos centrais da planta.

E qual sua opinião? Acredita que o Rotterdam Rocks tem fôlego para se firmar como uma maravilha mundial holandesa? Comenta aqui.

Amsterdã, Holanda

referências

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