Roteiro no Uruguai: história, arquitetura e cultura em uma viagem pelo país
Montevidéu

Roteiro no Uruguai: história, arquitetura e cultura em uma viagem pelo país

Escrito por Carolina Martins | Publicado em:

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Um roteiro pelo Uruguai pode ir muito além de Montevidéu, Punta del Este e das paisagens litorâneas. O país reúne cidades históricas, arquitetura moderna, tradições culturais e patrimônios reconhecidos pela UNESCO que ajudam a contar diferentes capítulos de sua história. 

Neste roteiro, você vai conhecer o Uruguai por meio de sua arquitetura, cultura e memória, em uma viagem que começa na capital e se estende pelo interior do país.

Fase 1 – Montevidéu (4 a 5 dias)

A primeira fase do roteiro no Uruguai é na capital Montevidéu. Sugerimos que você passe entre quatro a cinco dias neste destino para conseguir aproveitá-lo ao máximo. 

Dia 1 – Centro de Gravidade: Torres García e Cidade velha

Comece o passeio por Montevidéu visitando a Puerta de la Ciudadela, um dos principais monumentos da cidade e o ponto de entrada do centro histórico, servindo como um marco entre o moderno e o antigo.

No século XVIII, os espanhóis construíram uma grande fortaleza no lugar onde hoje se encontram a Plaza Independencia e parte da Ciudad Vieja. O objetivo da construção militar era defender a cidade de invasões inglesas e portuguesas.

Em 1829, as muralhas começaram a ser demolidas. Contudo, sua porta foi preservada e reintegrada ao lugar original no ano de 1959. A estrutura chama atenção por sua grandiosidade e pelo contraste que faz com os edifícios modernos que estão ao seu redor.

Pórtico da Puerta de la Ciudadela emoldurando o imponente Palácio Salvo em Montevidéu, marco essencial de um roteiro no Uruguai.
Foto: Ana Raquel S. Hernandes (reprodução)

Atravessando a Puerta de la Ciudadela, você já estará na Plaza Independencia, onde estão alguns dos edifícios mais icônicos da cidade, como o Palacio Salvo, inaugurado em 1928 como o segundo prédio mais alto da América do Sul naquela época, medindo 100 metros de altura.

Fachada imponente do icônico Palácio Salvo visto a partir da Plaza Independencia em Montevidéu, imperdível em um roteiro no Uruguai.
Foto: William Warby (reprodução)

Outro ponto de destaque é o Edificio Independencia, antigo Palacio Estevez, onde funciona o Museu do Governo, e a Torre Ejecutiva, um prédio moderno que contrasta com as demais construções e que funciona como sede do Poder Executivo.

Saindo da Plaza Independencia, prossiga pela rua Peatonal Sarandí, que está repleta de antiquários, livrarias, cafeterias e lojas. A próxima parada é na Plaza Matriz, endereço da Catedral Metropolitana de Montevidéu, datada de 1804. Trata-se de um prédio no estilo neoclássico que encanta tanto pela história quanto pela arquitetura.

Ainda na Peatonal Sarandí, reserve uma visita ao Museo Torres García, no número 683. O acervo reúne pinturas, esculturas e desenhos de Joaquín Torres García, artista nascido em Montevidéu que passou décadas na Europa antes de retornar ao Uruguai em 1934 movido pela intenção de construir uma linguagem visual genuinamente americana. O resultado foi o Universalismo Construtivo, movimento que ele mesmo teorizou, no qual grades geométricas rígidas convivem com símbolos pré-colombianos e objetos cotidianos. O mapa da América do Sul com o Sul para cima, acompanhado da frase “nuestro norte es el sur”, sintetiza bem essa inversão de perspectiva. Ver a obra no próprio contexto onde foi concebida dá outro peso à visita.

Para finalizar o primeiro dia de roteiro no Uruguai, visite o Palácio de Taranco, onde funciona o Museu de Artes Decorativas, situado em um palacete do início do século XX, considerado um monumento histórico, e que conta com um acervo extenso.

Entrada monumental do Palácio Taranco com portões em arco de ferro forjado em Montevidéu, parada cultural de roteiro no Uruguai.
Foto: Andrés Franchi (reprodução)

Dia 2 – Arte contemporânea e camada literária

Quem pretende fazer uma viagem cultural pelo Uruguai precisa visitar duas das livrarias localizadas na Ciudad Vieja. A primeira é a Linard y Risso, que fica na Rua Juan Carlos Gómez e tem um grande acervo, que inclui muitos exemplares antigos, alguns datados do século XVIII.

A Linard y Risso é especializada na literatura latino-americana e já teve como frequentadores grandes escritores, como Eduardo Galeano e Mario Vargas Llosa.

Interior acolhedor da tradicional livraria Linardi y Risso em Montevidéu, parada histórica recomendada para um roteiro no Uruguai.
Foto: Linardi y Risso (reprodução)

A outra livraria que você precisa incluir no seu roteiro no Uruguai é a Más Puro Verso, situada na Peatonal Sarandí. Ela ocupa o piso térreo do Edifício Pablo Ferrando, tombado como Patrimônio Histórico do Uruguai.

Além do acervo variado, com obras de autores uruguaios e internacionais, a livraria também chama a atenção por sua arquitetura. Logo ao entrar você irá se deparar com um grande vitral que filtra a luz para o andar térreo e uma escada de mármore que leva ao mezanino.

Interior da livraria Más Puro Verso com mezanino, colunas de ferro e estantes de livros em Montevidéu, destaque em roteiro no Uruguai.
Foto: Más Puro Verso (reprodução)

Ainda na Ciudad Vieja está o Café Brasileiro, na Rua Ituzaingó, 1447, uma das cafeterias mais antigas da América do Sul que já foi ponto de encontro de escritores e intelectuais uruguaios.

Para finalizar o segundo dia, visite o Espacio de Arte Contemporáneo (EAC), que fica em um antigo presídio, que funcionou de 1888 a 1998. Durante a ditadura uruguaia, o local funcionou como uma prisão política.

Galeria de arte contemporânea no antigo presídio Miguelete com pé-direito alto e escultura suspensa, dica cultural de roteiro no Uruguai.
Foto: Caio Carvalho (reprodução)

Em 2010, a construção passou a funcionar como um centro de arte contemporânea, e suas antigas celas foram convertidas em espaços como estúdios e salas de exibição.

Contudo, o passado do prédio não foi apagado, pelo contrário, ele é trazido de volta à tona, tanto pela própria construção quanto por algumas obras expostas no local, como uma forma de manter viva a memória do país.

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Dia 3 – Domingo: Feira e Candombe 

Caso você vá passar um domingo em Montevidéu e goste de garimpar peças antigas, aproveite para visitar a Feira de Tristán Narvaja, no bairro Cordón. Nela, você vai encontrar uma grande variedade de livros usados, discos de vinil, gravuras, mobiliário, ferramentas e objetos de design uruguaio.

A Feira de Tristán Narvaja é o lugar onde a cultura material do país aparece sem filtro, ideal para quem deseja conhecer o autêntico estilo uruguaio. O evento tem início às 9h e, para conseguir ver todos os estandes, separe três horas, no mínimo, para essa atividade.

Quem quiser se aprofundar na cultura uruguaia também vai gostar de assistir um ensaio de Candombe, uma tradição afrodescendente, classificada como um Patrimônio Imaterial da UNESCO desde 2009.

O Candombe nasceu nos bairros portuários da cidade e é baseado na percussão de três tambores (chico, repique e piano) que entregam complexos padrões rítmicos, que nenhuma gravação é capaz de reproduzir com fidelidade.

O ensaio acontece geralmente aos domingos à tarde, nas ruas Isla de Flores e Carlos Gardel (Barrio Sur) e nas adjacências do Palermo. Além do som dos tambores, a tradição também envolve danças e rituais comunitários.

Dia 4 – Eladio Dieste 

Uma excelente sugestão de passeio para quem quer montar um roteiro de arquitetura no Uruguai é tirar um dia para conhecer as obras de Eladio Dieste, um importante engenheiro civil uruguaio que ficou conhecido por sua filosofia da arquitetura da necessidade, na qual função e forma se fundem de maneira poética e eficiente.

Para conhecer seus principais trabalhos, será necessário dirigir-se à Estación Atlántida, a cerca de 45 km de Montevidéu, onde está uma das obras mais importantes da arquitetura uruguaia do século XX e de Dieste, a Igreja Cristo Obrero e Nuestra Señora de Lourdes, declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2021.

A construção impressiona pelas paredes curvas de tijolos, tetos abobadados de cerâmica armada e pelo uso expressivo da luz natural.

A visita a essa região pode ser combinada com um passeio pelo balneário de Atlántida, que conta com outras obras arquitetônicas icônicas, como o Edifício El Planeta, cuja forma se assemelha a de um navio, e o monumento El Aguila, uma estátua de pedra gigante no formato de águia.

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Fase 2 – Excursões a partir de Montevidéu

Se você quiser estender o seu roteiro no Uruguai para além de Montevidéu, algo que recomendamos muito, que tal fazer uma excursão saindo da capital uruguaia para cidades próximas?

Nossa primeira sugestão são as excursões para a Colonia del Sacramento, a 180 km de Montevidéu, o primeiro lugar do país reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

A Colonia del Sacramento foi fundada em 1680 pelos portugueses, às margens do Rio de la Plata, para auxiliar na defesa contra os espanhóis. Ao longo dos anos, a vila passou por sucessivas destruições e ocupações, dando origem a uma arquitetura heterogênea, com influências portuguesas e espanholas.

Rua histórica de pedra com casas coloniais e fachadas rústicas em Colonia del Sacramento, parada clássica em um roteiro no Uruguai.
Foto: Esky Studio (reprodução)

Entre as principais atrações da Colonia del Sacramento estão:

  • O centro histórico com suas ruas irregulares e arquitetura colonial;
  • A Basílica del Santísimo Sacramento; 
  • O Museu Português e Museu Municipal;
  • O portão de entrada do centro histórico, que fazia parte da muralha erguida pela primeira expedição portuguesa.

Contudo, caso você queira curtir o litoral uruguaio e conhecer uma das obras arquitetônicas mais famosas do país, a Casapueblo, considere visitar Punta Ballena, que fica a 15 km de Punta del Este.

Embora seja um lugar mais tranquilo do que Punta del Este, Punta Ballena também tem belas praias, uma boa infraestrutura e ainda conta com o diferencial de abrigar a Casapueblo, a antiga casa-ateliê de Carlos Páez Vilaró, construída para ser uma escultura habitável.

Arquitetura orgânica branca da Casapueblo com piscina e vista para o mar em Punta Ballena, atração imperdível de roteiro no Uruguai.
Foto: Wagner T. Cassimiro (reprodução)

Páez Vilaró começou a construí-la em 1958 ao redor de uma pequena cabine de madeira e foi ampliando o conjunto ao longo de mais de 36 anos, sem planta nem projeto, moldando o cimento caiado à mão e acrescentando volumes conforme a obra pedia. A estrutura branca e escalonada que resultou desse processo orgânico se debruça sobre os penhascos de Punta Ballena com vista para o Atlântico. Desde 1994, todas as tardes acontece a Cerimônia do Sol: nos terraços do museu, a voz gravada do artista recita um poema enquanto o sol mergulha no mar.

A Casapueblo chama a atenção por sua extensão e formas irregulares. Atualmente, no edifício funciona um museu, uma galeria, um hotel, uma cafeteria e um restaurante.

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Fase 3 – Ruta 21: o outro patrimônio da UNESCO (3 dias adicionais)

Para um roteiro no Uruguai completo, vale a pena estender a viagem por mais três dias e conhecer alguns destinos icônicos no interior do país.

Se o seu ponto de partida for a Colonia del Sacramento, nossa dica é pegar a Ruta 21 e seguir em direção a Carmelo e, depois, a Fray Bentos. O percurso funciona como uma leitura histórica da paisagem uruguaia, tendo desde antigas construções coloniais até um grande complexo industrial às margens do rio Uruguai.

1º dia – Calera de las Huérfanas e Carmelo

A primeira parada é a Calera de las Huérfanas, um complexo fundado no século XVIII pelos jesuítas que contava com uma igreja e que também servia estância agrícola. Atualmente, o local é classificado como um Patrimônio Jesuíta e Monumento Histórico Nacional do Uruguai.

O complexo preserva ruínas da antiga igreja, os fornos de cal e vestígios de habitações. Além disso, o local ainda conta com espaços para exposições.

A próxima parada é Carmelo, uma pequena cidade às margens do rio da Prata, famosa por suas vinícolas, algumas delas abertas à visitação, como: Irurtia, Zubizarreta, Fripp e Narbona.

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2º dia – Ruta 21 e chegada a Fray Bentos

Após aproveitar as vinícolas de Carmelo, siga em direção a Fray Bentos, que fica a aproximadamente 138 km de distância. A principal atração deste destino é a Paisaje Industrial Fray Bentos, um conjunto que preserva as instalações de um antigo frigorífico e complexo industrial que marcou a economia da região.

O Paisaje Industrial Fray Bentos foi inscrito pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 2015. O complexo preserva instalações ligadas à produção e ao processamento de carne em escala industrial e mostra como tecnologia, capital e trabalho transformaram a produção alimentícia.

3º dia – Fray Bentos e o rio Uruguai

Reserve o terceiro dia para explorar Fray Bentos com mais calma. Além do complexo industrial, a cidade conta com outras atrações, como:

  • Rambla de Fray Bentos – um calçadão à beira do rio Uruguai;
  • Ponte Internacional General San Martín – onde você poderá desfrutar de vistas panorâmicas da região;
  • Museu Luis Solar – um espaço dedicado à obra deste artista plástico uruguaio;
  • Plaza Constitución – a principal praça da cidade, cercada por edifícios históricos. 

Para aproveitar melhor a terceira fase do nosso roteiro no Uruguai, o ideal é alugar um carro para conseguir se deslocar com mais conforto, e também para poder parar em todas as cidades que despertarem o seu interesse na Ruta 21.

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Do patrimônio colonial de Colonia del Sacramento à arquitetura de Eladio Dieste e ao complexo industrial de Fray Bentos, este roteiro mostra diferentes momentos da história uruguaia por meio de suas cidades, edifícios e paisagens. Mais do que reunir atrações, a viagem permite observar como diferentes períodos e culturas ajudaram a formar a identidade do país.

Se você gostou da nossa sugestão de roteiro no Uruguai, aproveite para conferir o nosso post: Roteiro em Lima: capital peruana se destaca pela gastronomia.

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