Sala Bang Pa-In: atmosfera de um vilarejo tailandês
Tailândia | Ayutthaya

Sala Bang Pa-In: atmosfera de um vilarejo tailandês

Escrito por Fernando França | Atualizado em:
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Bangkasun, distrito de Bang Pa-in. Província de Phra Nakhon Si Ayutthaya, Tailândia.
+66 35 246 388
A partir de US$ 122,04 (pernoite)*

BANG PA-IN, TAILÂNDIA. — Há mais de quatro séculos atrás, o grande Rio dos Reis fora domínio do antigo Reino de Sião. Seu rei, que viajava de barco pelo rio, naufragou em uma pequena ilha. Foi nesta ilha que conheceu e se apaixonou por uma habitante da ilha. Fruto desta união, o novo rei decidiu homenagear sua mãe construindo um palácio na região.

O palácio é uma grande obra que representa o luxo e a história do antigo reino, em meio aos pacatos vilarejos ao longo do rio. Essa atmosfera de história, riqueza e serenidade foram traduzidos em uma experiência hoteleira. Hoje estamos no SALA Bang Pa-in, na província tailandesa de Ayutthaya.

Uma pequena ilha triangular se destaca ao longo do rio Chao Phraya.É a morada do SALA Bang Pa-in | Foto cortesia do hotel

O SALA BANG PA-IN

O distrito de Bang Pa-in, que dá nome ao hotel, faz parte da província de Ayutthaya. Ele abriga um grande rio chamado Chao Phraya (Rio dos Reis) que, por sua vez, é entrecortado por inúmeras ilhas. Em uma delas a rede hoteleira SALA Hospitality decidiu estabelecer um novo projeto.

Trata-se de um hotel boutique que procura fugir do padrão ostentoso das demais experiências hoteleiras da região. São 24 quartos, que incluem inúmeras Villas, uma ponte carmesim, um restaurante, uma sala de conferências e um saguão de dois andares inspirado na arquitetura vernacular.

O SALA Bang Pa-in se destaca. O projeto não busca referências visuais nos palácios e templos da região. Pelo contrário, encontra um estilo muito próprio que é minimalista e — ainda assim — não ocidental.

Piscina principal. Móveis despojados produzidos em vime. Cores neutras entram em contraste com o vermelho, uma combinação de cores que marca o projeto do começo ao final | Foto cortesia do hotel

CLIENTE DO PROJETO

O projeto foi encomendado pelo grupo tailandês SALA Hospitality. A rede de hotéis SALA conta, na data de redação deste artigo, com oito propriedades sob seu manto.

A empresa é sócia majoritária do Six Senses Samui e detentora de duas grandes marcas hoteleiras: a SALA Resort & Spa e a SALA Boutique. A primeira é a identidade dada às suas propriedades com experiências de hospedagem em grande escala, carregadas de luxo e serviços especializados. Entre elas, podemos encontrar o SALA Phuket Mai Khao Beach Resort (o qual publicamos um artigo completo sobre o projeto)

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SALA Phuket Mai Khao Beach, um dos resorts do grupo SALA que é tanto tema de um dos nossos artigos quanto um projeto também conduzido pelo mesmo escritório de arquitetura do SALA Bang Pa-in | Foto cortesia do hotel

Sua outra marca, que integra propriedades como o Sala Bang Pa-in, oferece experiências em menor escala. A proposta dos SALA Boutiques é a de uma vivência intimista e conectada à atmosfera local. Os projetos desta marca se afastam de experiências típicas das hospedagens de luxo e são instalados em locais remotos.

Assim como no projeto do SALA Phuket Mai Khao Beach Resort, a rede SALA Hospitality encarregou este projeto nas mãos da equipe de arquitetos da Department of ARCHITECTURE. A experiência de hospedagem está sob comando do hoteleiro Volkert Geertsen, profissional com reputação internacional que assumiu a gerência geral da marca Sala Boutique em 2016.

Uma das Villas de luxo do SALA Bang Pa-in, conforto pintado em cores neutras que dão destaque às águas do rio | Foto cortesia do hotel

RESPONSÁVEIS PELO PROJETO

Department of ARCHITECTURE é um escritório de arquitetura com sede em Bangkok. Além de projetos de arquitetura, também trabalham com projetos focados em design de interiores e paisagismo. No caso do SALA Bang Pa-in, o conceito foi obra dos arquitetos co-fundadores Twitee Vajrabhava e Amata Luphaiboon. À frente dos interiores está o designer Gasinee Chieu (também responsável pelos interiores do SALA Phuket).

Além da equipe do Department of Architecture, o projeto foi realizado em parceria com diversas outras empresas:

  • Iluminação: Accent Studio e FOS Lighting Studio Co.
  • Engenharia estrutural: POST
  • Engenharia de construção: PH2000
  • Empreiteiros: S45 Engineering, Double Click Construction e SKT Engineering
  • Fornecimento de mobiliário: New Muangthong Furniture
Visão panorâmica do Bang Pa-in | Foto cortesia do hotel

O PROJETO DO HOTEL

Um dos principais atrativos da hospedagem no SALA Bang Pa-in é sua proximidade com o palácio mencionado no começo deste artigo. Também chamado de Palácio de Verão, é um importante ponto histórico na região. Com um passeio de barco, com custo zero para os hóspedes, é possível ir visitar o palácio de Bang Pa-in.

Apesar disso, o projeto se propõe a fugir da herança cultural e se firmar como um reflexo da nova cultura tailandesa. As grandes vigas, o uso do dourado, grandes estátuas e uso tradicional dos tijolos de barro não foram usadas no Bang Pa-in. Ao invés disso, os arquitetos buscaram referências nas casas ao redor do hotel.

A arquitetura presta homenagem às casas da área circundante. Não para as habitações tradicionais tailandesas do passado, mas para os edifícios vernaculares contemporâneos ao redor.

ARQUITETO TWITEE VAJRABHAYA, DIRETOR DO DEPARTMENT OF ARCHITECTURE.

O primeiro contato dos hóspedes com o SALA Bang Pa-in é através do saguão vermelho. É uma grande estrutura de dois andares, erguida sobre palafitas de madeira. Esta é a estrutura que mais se assemelha às moradias tailandesas ao redor, tanto em forma quanto em cor.

A área onde o saguão foi construído é baixa e sofre com inundações frequentes. Com a intenção de não realizar intervenções agressivas no solo, os proprietários e os arquitetos optaram pela forma de uma casa tailandesa. Nos momentos de enchente, os móveis do saguão são levados à área superior. E, até lá, o local é utilizado como espaço para eventos e reuniões.

O vermelho, que aparece com intensidade no saguão e na ponte que leva à ilha, se inspira na arquitetura tradicional do país. A paisagem rural tailandesa é carregada de cores fortes e, dentre elas, os arquitetos optaram pelo carmesim. A cor preenche toda a estrutura que serve como primeiro contato e acompanha uma enorme ponte de madeira que faz mais do que mera conexão entre continente e ilha:

Esta ponte vermelha, aparentemente muito distinta em sua cor, na verdade se mistura com a vila. Ele fala a mesma linguagem de seu contexto colorido e conecta a nova arquitetura com o tom e a cultura local.

ARQUITETO TWITEE VAJRABHAYA, DIRETOR DO DEPARTMENT OF ARCHITECTURE

Além da ponte, os espaços assumem a estética minimalista que trazem a identidade moderna do projeto. Os ambientes foram projetados para questionar os limites entre concreto e natureza. A primeira área alcançada, próximo às piscinas principais, é o pátio. Aqui ganha destaque a permanência de duas grandes árvores Chamchuri (também presente no Brasil e conhecida como Árvore da Chuva).

A intenção dos arquitetos de manter as duas árvores obrigou-os a encontrar uma solução para uma transição suave entre a terra antes inundada e as áreas do hotel. Surge aqui um espaço de degraus circulares, ornamentados com almofadas e preparado para os hóspedes que querem relaxar observando o rio.

Pátio que abriga as árvores Chamchuri e que conecta à área do hotel | foto cortesia do hotel

Na ilha, os edifícios têm posicionamento variado e altura reduzida. Árvores nativas rodeiam todas as estruturas. A estratégia possibilita o conjunto de moradias estar em harmonia com as casas ao redor. O efeito é de que o hotel é uma extensão dos vilarejos circundantes e os hóspedes sentem sua atmosfera sem barreiras ou contradições.

A ponte carmesim conecta os hóspedes do continente à ilha, onde as estruturas buscam harmonia com os vilarejos ao redor | Foto cortesia do hotel

OS INTERIORES

O principal espaço de encontro do complexo é o restaurante, café e bar. É uma grande estrutura aberta e de telhado ondulado. O material que predomina aqui é o tijolo, uma clara referência aos antigos templos da região com uma nova roupagem. No interior do restaurante e das Villas, as paredes de tijolos se distanciam da tradição direta. Estão pintados de brancos e distribuídas de maneira leve. É como se os tijolos estivessem flutuando.

O único restaurante do hotel serve cafés da manhã com cardápio bem variado. É possível encontrar preparações de diferentes etnias, desde compotas inglesas à bentos japoneses feitos com salmão grelhado e acompanhados de sopa de missô. Todas as preparações são acompanhadas de frutas da estação.

Outros materiais utilizados nos ambientes são a combinação de tecidos de cor creme, madeiras leves e vime. O uso destes materiais para a construção de interiores despojados cria uma atmosfera que é minimalista, porém oriental. As referências às tradições zen budistas lembram muito o design proposto pelas lojas MUJI.

Acessibilidade

O Hotel possui andares superiores acessíveis por elevador. Para mais informações, clique aqui.

ATRAÇÕES

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REFERÊNCIAS

* Valores e cardápio pesquisados na data de redação deste post, podem não refletir os valores e informações atuais. Em caso de dúvidas, entre em contato com o resort no número indicado no topo deste artigo.

Site oficial do hotel

Site oficial do escritório de arquitetura

Jakarta Jive

Bangkok Post

Gooood

Destin Asian

Archdaily

Telegraph

Design Anthology

Interior Design


Autor Fernando França

Formado em Gestão Empresarial, apaixonado por Design, escritor por vocação. Fernando tem mais de 7 anos de experiência gerenciando e desenvolvendo negócios na área de Gastronomia. Eterno pesquisador de tendências, devora informações sobre projetos que unem estética, função, empatia e sustentabilidade. Veio ao projeto Dona Arquiteta para contribuir com o que pode haver de melhor sobre o assunto.


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