5 exposições em São Paulo que você não pode perder
São Paulo

5 exposições em São Paulo que você não pode perder

Escrito por Rayssa Cunha | Publicado em:

Este blogpost não foi patrocinado. Apesar disso, se você comprar através de nossos links, nós ganhamos uma comissão. Assim você ajuda a manter o Dona Arquiteta no ar! Boa leitura.

Avalie esta matéria

São Paulo já carrega, há tempos, a fama de capital cultural do Brasil. Mas os últimos anos têm reforçado esse título de um jeito mais concreto: a cidade não para de crescer, e museus, institutos e galerias crescem junto, abrindo novas frentes para dar conta de um público cada vez mais plural. Não à toa, a revista Time Out elegeu São Paulo como a 7ª melhor cidade do mundo para arte e cultura.

Esse movimento tem um efeito interessante: bairros inteiros vêm se firmando como polos culturais próprios. A Avenida Paulista é o exemplo mais óbvio, com o MASP e o Itaú Cultural like presenças históricas, mas também com espaços mais recentes, como a Japan House, que desde 2017 ocupa três andares dedicados à cultura japonesa, do design à gastronomia.

Foi justamente esse cenário de efervescência que guiou nossa seleção a seguir. Reunimos 5 exposições que entrarão na programação de São Paulo no próximo mês, de museus consagrados a espaços menos óbvios, que juntas mostram a força e a diversidade da cena paulistana de design e arte.

exposições em são paulo,roteiro cultural em são paulo,design e arte

Cerâmica em curso – Japan House

Para começar nossas dicas de exposições, resolvemos abrir com uma das mostras mais interessantes em cartaz agora na Japan House. Ela faz uma pergunta que parece simples. O que faz uma tigela ou um vaso ter a cara de um lugar? Cerâmica em curso responde levando o visitante a seis regiões do Japão cujos fornos funcionam há quase mil anos. Bizen, Echizen, Seto, Shigaraki, Tamba e Tokoname formam o grupo conhecido como Rokkoyō e, desde 2017, integram a lista de bens da Japan Heritage. A curadoria é de Natasha Barzaghi Geenen e Carolina De Angelis.

Peças utilitárias e obras de artistas contemporâneos dividem as salas. Entre elas está “Shizuku Zen/2000”, de Masamichi Yoshikawa, artista de Tokoname, uma escultura de cerca de 200 quilos que amplia a escala da cerâmica. Há ainda uma tigela de arroz com o padrão mugiwarade, um recipiente para água com borda em forma de flecha e copos de saquê, entre outros objetos feitos para o uso diário.

Segundo Natasha, a cerâmica reúne conhecimento, tradição, território e um modo de se relacionar com a matéria. Ela lembra ainda que o Brasil tem polos ceramistas próprios, alguns deles ligados ao Japão, e que a mostra foi pensada para curiosos e especialistas. Para quem trabalha com design e interiores, é uma aula de como material e processo definem a forma de um objeto.

Se você quer conhecer melhor o espaço da Avenida Paulista antes de ir, temos uma matéria no site sobre a Japan House, o centro cultural japonês em São Paulo. 

Onde ver: Avenida Paulista, nº 52. Bela Vista — São Paulo
Quanto custa: Entrada gratuita
Como saber mais: Japan House

PUBLICIDADE FIM DA PUBLICIDADE

Jesús Soto — MASP 

A exposição Jesús Soto chegará ao MASP em 27 de novembro de 2026 e ficará em cartaz até 4 de abril de 2027.

A mostra fecha um ano em que o museu se voltou para as histórias e identidades da América Latina, e Soto é um nome central nesse recorte. Nascido em Ciudad Bolívar, na Venezuela, ele foi um dos principais artistas da arte cinética. Seu trabalho mexe com a percepção. Planos sobrepostos, transparências e padrões geométricos fazem a imagem parecer vibrar conforme o visitante se move, e a obra só se completa com o corpo de quem a vê.

Esse princípio chega ao ponto máximo nos Penetráveis, ambientes montados com elementos suspensos que o público atravessa. Em vez de ficar diante da obra, a pessoa passa a fazer parte dela. Para quem gosta de arquitetura e interiores, vale reparar em como o espaço, a luz e a transparência trabalham juntos, um tipo de pesquisa que dialoga com muitos projetos de hoje.

Onde ver: MASP, Avenida Paulista, nº. 1578. Bela Vista — São Paulo
Quanto custa: Valores a confirmar. Nas exposições deste ano, o MASP cobrou R$ 85 (inteira) e R$ 42 (meia-entrada), com entrada gratuita às terças
Como saber mais: MASP

A influência das cores na arquitetura

10º Prêmio Objeto Brasileiro – Museu A CASA do Objeto Brasileiro

A mostra do 10º Prêmio Objeto Brasileiro está prevista para estrear em novembro de 2026, no Museu A CASA do Objeto Brasileiro, e é nessa ocasião que as peças dos vencedores serão expostas. O museu ainda deve divulgar o dia exato, então vale acompanhar os canais oficiais antes de organizar a visita.

Antes de falar da mostra, acho importante ter uma explicação rápida sobre o prêmio. Criado em 2008, ele acontece a cada dois anos e reconhece o trabalho de artesãos, criadores e designers de todo o país. A iniciativa nasceu da missão do museu, que existe desde 1997, de valorizar o saber artesanal e atualizá-lo. Segundo a fundadora, Renata Mellão, a instituição sentiu a responsabilidade de abrir um espaço de reconhecimento para esse ofício, que também funciona como ponto de encontro de ideias e de contatos entre quem cria. 

Nesta décima edição, 26 obras foram selecionadas, divididas em quatro categorias: Produção Autoral, Produção Coletiva, Ação Socioambiental e Novos Talentos. Cada categoria terá um vencedor. A novidade é justamente Novos Talentos, voltada a estudantes e recém-formados das áreas criativas, o que aproxima as novas gerações do universo do objeto feito à mão.

A divisão mostra bem o alcance do prêmio. Há espaço para a pesquisa formal de um autor, para trabalhos coletivos e para projetos que usam o fazer artesanal como ferramenta de impacto social e territorial. Para quem trabalha com design e interiores, é uma chance de ver o que se produz hoje no país e como a tradição e contemporaneidade se encontram em cada objeto.

Quem vai estar em São Paulo no fim do ano já pode reservar esse endereço no roteiro.

Onde ver: Museu A CASA do Objeto Brasileiro, Avenida Pedroso de Morais, nº 1216. Pinheiros — São Paulo
Quanto custa: Entrada gratuita
Como saber mais: Museu A CASA do Objeto Brasileiro

PUBLICIDADE FIM DA PUBLICIDADE

Sara Ramo: A fúria dos restos vivos

O que fazer com aquilo que sobra? A artista hispano-brasileira Sara Ramo construiu uma obra inteira em torno dessa pergunta, e a resposta chega à Pinacoteca de São Paulo com “A fúria dos restos vivos”. Ela estreia em 7 de novembro de 2026, no quarto andar do Pina Estação, e fica em cartaz até 18 de abril de 2027.

Ramo trabalha com pedaços de objetos, materiais domésticos, resíduos e histórias que recolheu ao longo do tempo. Com eles, monta instalações, esculturas, vídeos, fotografias e colagens em que coisas conhecidas ganham um ar de estranhamento, de humor e de fantasia. Um item que ninguém notaria passa a ocupar o centro da cena, e o olhar de quem visita muda junto.

A imaginação nas obras parte de vestígios reais, de coisas que já foram usadas e deixadas para trás. É da vida cotidiana que sai o material para o inusitado, e o resultado pode soar divertido, inquietante ou próximo de um sonho, dependendo da obra e de quem está observando.

Esta é a primeira vez que a Pinacoteca apresenta uma visão ampla da trajetória de Sara. Em vez de se concentrar em uma série recente, a mostra acompanha como ela foi reorganizando objetos e narrativas ao longo dos anos, o que te permite perceber como suas estratégias se transformaram. A curadoria é de Lorraine Mendes.

Para quem gosta de design e interiores, a visita vale também pelo convite a olhar de outro jeito para os objetos que enchem uma casa e para o destino que damos a eles quando deixam de servir.

exposições em são paulo,roteiro cultural em são paulo,design e arte
Foto: Art Expo World (reprodução)

Onde ver: Pina Estação (4º andar), Largo General Osório, n° 66. Luz — São Paulo
Quanto custa: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada para estudantes, aposentados e jovens de 15 a 29 anos com ID Jovem, entre outros). Compras on-line têm taxa de R$ 2. Entrada gratuita para crianças até 10 anos, pessoas a partir de 60 anos e pessoas com deficiência (com um acompanhante)
Como saber mais: Pinacoteca SP

PUBLICIDADE FIM DA PUBLICIDADE

Eu persigo São Paulo: Mário e a Cidade – Casa Mário de Andrade

Poucas exposições têm seu endereço tão ligado ao assunto. A exposição Eu persigo São Paulo: Mário e a Cidade está instalada na casa da Barra Funda onde Mário de Andrade viveu durante boa parte da vida, e é de lá que você sai para acompanhar o escritor pelas ruas da capital paulista. A mostra segue em cartaz até 30 de dezembro de 2026.

O ponto de partida é uma frase que Mário escreveu em carta ao amigo Paulo Duarte, falando da relação intensa que tinha com a cidade. A exposição usa fotografias históricas, cartas, vídeos e documentos para mostrar como São Paulo foi, para o escritor, objeto de estudo, de afeto e de inquietação ao mesmo tempo.

O percurso reconstitui os lugares que fizeram parte da rotina e da trajetória dele. Passam por ali o Largo do Paiçandu, o Theatro Municipal, o Conservatório Dramático e Musical, o ateliê de Tarsila do Amaral e a Igreja do Carmo. Também aparece o antigo Departamento de Cultura, que Mário dirigiu entre 1935 e 1938 e onde criou políticas pioneiras de preservação do patrimônio cultural brasileiro. 

O núcleo mais sensorial fica no Quarto da Dona Mariquinha, onde poemas, cartas e textos foram escritos. A casa em si também faz parte da história, porque foi ponto de encontro de artistas, intelectuais e amigos que moldaram o modernismo, e de suas janelas Mário via uma Barra Funda em transformação, cercada de indústrias e de tradições populares.

Para quem gosta de arquitetura e interiores, mas também de literatura brasileira, a visita permite ver de perto uma casa histórica da cidade e entender como o espaço onde alguém vive e trabalha influencia a obra que produz.

Onde ver: Casa Mário de Andrade, Rua Lopes Chaves, nº 546. Barra Funda — São Paulo
Quanto custa: Entrada gratuita
Como saber mais: Casa Mário de Andrade

PUBLICIDADE FIM DA PUBLICIDADE

Depois de percorrer essas exposições, fica a sensação de que São Paulo se deixa conhecer de muitas maneiras. O que as mostras têm em comum é o convite para olhar com calma o que costuma passar despercebido, seja uma junta de madeira, um tom de branco ou um quintal descrito em um livro.

Se esse tipo de passeio despertou a vontade de conhecer outros cantos do país, reunimos outros destinos pelo Brasil por aqui, para quem quer continuar planejando a próxima parada.

Leia mais

PUBLICIDADE FIM DA PUBLICIDADE

referências

*Atenção: Preços tomam como base a data de redação deste conteúdo. Podem sofrer alterações a qualquer momento e sem aviso prévio.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

plugins premium WordPress
Scroll to Top